Carnaval teve chuva, alagamento na Sapucaí e muita alegria na 1º noite do desfile do Grupo da Série A no Rio de Janeiro

50
Primeiro desfile começou com meia hora de atraso, após chuva. Unidos da Ponte, Alegria da Zona Sul, Acadêmicos da Santa Cruz e Acadêmicos do Sossego também desfilaram nesta sexta (1).

Pela primeira vez, um grupo de comunicação do interior cobrirá um desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Uma equipe do Rlagosnoticias esteve no sambódromo carioca acompanhado de perto os desfiles da Série A. Sete escolas desfilaram no primeiro dia de folia na Sapucaí, que começou com cerca de meia hora de atraso por conta das fortes chuvas no Rio de Janeiro. A avenida ficou alagada e alguns setores vazios.

O jornal O Globo, responsável pelo Estandarte de Ouro, a mais prestigiada premiação extraoficial do Carnaval do Rio de Janeiro, montou um confortável camarote e com excelente serviço entre os setores 7 e 9 da Sapucaí.

Unidos da PonteA Unidos da Ponte pisou na avenida exatamente no dia em que o sambódromo carioca completou seus 35 anos e, apesar do temporal que causou o adiamento do seu desfile por meia hora, fez uma apresentação com muita raça. Embalada pelo interessante samba de Jorginho do Axé, que ilustrou o enredo reeditado de 1984, “Oferendas”, a escola voltou à Série A falando das religiões de matriz africana Umbanda e Candomblé. Além de muitos componentes terem se dispersado por causa da chuva torrencial que caiu na Sapucaí, os carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques destacaram mais os orixás do que as oferendas feitas a eles como anunciava o título do seu enredo.

Alegria da Zona SulA Alegria da Zona Sul levou para a avenida o enredo “Saravá, Umbanda”, que contou a história desta religião através das palavras de um preto velho. Apesar de exaltar a caridade e o amor, a escola não desfilou com empolgação e, por consequência, não empolgou o público. Destaque para o intérprete Igor Vianna e a bateria comandada pelo mestre Claudinho e com os homens vestidos de preto velho.

Acadêmicos da RocinhaComo anunciava o fantástico samba de Cláudio Russo, Diego Nicolau, Renato Galante, Kirrazinho, Ralf, Fadico e Wagner Rodrigues teve quizomba no quilombo da Rocinha. O carnavalesco Júnior Pernambucano usou e abusou da irreverência no desenvolvimento do enredo “Bananas para o preconceito”, que criticou o racismo. Destaque especialíssimo para o intérprete Ciganerey e seu swing contagiante.

Acadêmicos de Santa CruzA Acadêmicos de Santa Cruz veio encorpada para a avenida, porém teve alguns problemas com carros alegóricos, o que pode prejudicar bastante suas notas nos quesitos evolução e conjunto. O experiente carnavalesco Cahê Rodrigues, que trabalhou diversas vezes em escolas do Grupo Especial, desenvolveu o enredo “Ruth de Souza – Senhora liberdade, abre as asas sobre nós”, em homenagem a atriz de 97 anos, verdadeiro ícone das artes cênicas do Brasil.

Unidos de Padre MiguelA Unidos de Padre Miguel há alguns anos tem realizado desfiles com estrutura de Grupo Especial, mas de novo não vai conseguir sair da Série A porque veio muito grande e com a comissão de frente demorando na execução da sua coreografia, o que causou a perda de pontos em cronometragem. O carnavalesco João Vitor Araújo desenvolveu o enredo “Qualquer semelhança não terá sido mera coincidência”, em homenagem a vida e obra do escritor Dias Gomes, mestre no realismo fantástico. O intérprete Pixulé e a bateria da escola se encaixaram perfeitamente.

Desfile da Acadêmicos do SossegoA Acadêmicos do Sossego conseguiu realizar um desfile bem claro, no qual destacou-se a originalidade do samba composto por Felipe Filósofo e a sua trupe em diálogo, sem verbo e sem rima. O enredo “Não se meta com a minha fé. Eu acredito em quem quiser” foi desenvolvido num tom bem crítico por uma comissão de Carnaval. Tratou da intolerância religiosa e do acolhimento de todas as crenças. Com certeza o substancial apoio financeiro recebido da Prefeitura de Niterói contribuiu para o belo trabalho apresentado.

Desfile da Inocentes de Belford RoxoA Inocentes de Belford Roxo levou para a avenida o enredo “O frasco do bandoleiro” do carnavalesco Marcus Ferreira, que não conseguiu desenvolvê-lo de forma clara, assim como utilizou uma palheta de cores muito confusa. A escola que já subiu injustamente ao Grupo Especial há alguns anos, ficou devendo um desfile que realmente fizesse um paralelo entre as crendices das pessoas que guardam fortunas enterradas nos seus quintais no Nordeste brasileiro e casos atuais de corrupção.