Escola de samba encena Satanás “vencendo” Jesus em desfile e gera polêmica

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O desfile da escola de samba Gaviões da Fiel este ano encerrou a segunda noite do Carnaval de São Paulo em meio a polêmicas. Reeditando o samba-enredo de 1994, “A Saliva do Santo e o Veneno da Serpente”, trouxe várias representações religiosas para a avenida, embora o objetivo seria contar uma lenda árabe sobre o surgimento do café.

Elogiado pelos comentaristas da TV e nas redes sociais, a performance também gerou muitas críticas. Em especial por conta da representação da ‘batalha do bem contra o mal’ onde Satanás e seus demônios confrontavam Jesus e seus arcanjos.

Embora o tema fosse o café, a religiosidade deu o tom. No terceiro carro alegórico havia uma gigante escultura de Oxalá, com pretos velhos e Exus nas laterais e um enorme São Jorge, padroeiro do clube e da escola de samba no topo.

Em outros carros alegóricos, figuras de Satanás, associado à serpente, que teria enganado Santo Antão, conforme o tema proposto para o samba-enredo.

Diante disso, comentaristas do desfile afirmaram que o personagem da comissão de frente vestido com um tecido em volta do quadril, usando uma coroa de espinhos e com marcas de flagelação era o santo e não Jesus Cristo.

Entretanto, durante a transmissão da Rede Globo, logo após o desfile, os comentaristas receberam no estúdio integrantes da comissão e o coreógrafo, quando foi feita a correção de que o personagem em questão não era o Santo Antão, mas sim Jesus Cristo.

“O foco era chocar. Essa comissão de frente foi incrível e alcançou nosso objetivo, que era mexer com essa polêmica de Jesus e o diabo, com a fé de cada um”, afirmou o coreógrafo Edgar Junior.

O fato logo levou à repercussões nas redes sociais, com muitos cristãos lamentando esta encenação.

“Gaviões da Fiel encenou o diabo batendo e vencendo Jesus Cristo logo na comissão de frente. Comentaristas da Globo alegaram ser Santo Antão do Deserto, o místico do norte da África. Balela. O dançarino portava até uma coroa de espinhos”, comentou ensaísta, tradutor e intelectual católico Bernardo Pires Küster, ao lamentar que “o sonho da carne é vencer o Santo mesmo”.

Por sua vez, Padre Augusto Bezerra, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, escreveu em sua página de Facebook: “Quem produziu e encenou a vitória de Satanás sobre Jesus no sambódromo terminou de ver a série antes da última temporada. Vou dar o spoiler: o Maldito Cão caiu no lagar de fogo e foi pisado pelo Cordeiro Imolado Ressuscitado junto com seus anjos e os homens que se rebelaram contra Deus”.

Sem citar diretamente o desfile da escola de samba, Padre José Eduardo, da Diocese de Osasco (SP), também comentou em suas redes sociais: “A zombaria é o anestésico pelo qual o diabo dessensibiliza a alma para a sua própria desgraça”.