Corpo de jornalista assassinado é enterrado após cortejo em carro oficial do Corpo de Bombeiros em Maricá

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O corpo do jornalista Romário Barros, de 31 anos, foi enterrado no Cemitério Municipal de Maricá (RJ) na tarde desta quarta-feira (19). Ele foi morto a tiros no bairro Araçatiba, na noite de terça-feira (18).

O enterro do jornalista ocorreu após cortejo em carro oficial do Corpo de Bombeiros e sob aplausos e forte comoção. O corpo de Romário foi velado na Câmara de Vereadores onde parentes e amigos se despediram do jornalista. Segundo a sogra, Maria do Carmo, Romário era muito querido por todos, uma pessoa alegre.

“Vivia só para esposa, pra gente e pro jornalzinho dele, que trabalhava com amor, com dedicação, com empenho”, afirmou.

“Estou sofrendo demais. Sei que daqui pra frente vai ser difícil, mas eu sei que eu tenho um Deus muito grande na minha vida. Deus vai estar do meu lado. Eu sei que Deus tem grandes promessas para a minha filha. Eu sei que ele [Romário] está em algum lugar com Jesus”, desabafa Maria do Carmo.

O crime está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI). De acordo com a polícia, foi instaurado inquérito para apurar o homicídio do jornalista.

A perícia foi realizada no local e diligências estão sendo feitas, ainda segundo a polícia, para esclarecer as circunstâncias e a autoria do crime. Ninguém foi preso até a publicação desta reportagem.

Luto e indignação

A Câmara de Vereadores decretou luto de três dias na cidade. Instituições da cidade repudiaram e lamentaram a morte do profissional. Segundo a Prefeitura de Maricá, o assassinato é um “crime contra a liberdade de expressão”.

Duas mortes em menos de um mês

Romário foi o segundo jornalista assassinado na cidade em menos de um mês. No dia 25, Robson Giorno, dono do jornal “O Maricá”, foi morto perto de sua casa.

O programa Tim Lopes, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), também apura se as mortes dos dois jornalistas são retaliações aos trabalhos das vítimas.

“Caso seja confirmada a ligação com a profissão, o Programa Tim Lopes irá a Maricá para aprofundar a apuração, como feito em 2018 no caso do assassinato de Jairo Sousa, no Pará”.

Para a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os dois crimes tratam-se de “execução”.

“Exigimos das autoridades competentes celeridade na apuração dos casos, para que a população de Maricá e, em especial, os familiares dos jornalistas e a categoria possam ter uma resposta do Estado”.