Família cobra investigação sobre captura e tortura de vigilantes por facção criminosa em Cabo Frio e pedi ajuda a forças do Exército

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A família do vigilante noturno Luiz Paulo dos Santos França, supostamente capturado por uma facção criminosa em Cabo Frio, reclama que a Polícia Civil suspendeu as investigações e está se negando a realizar buscas.

A Mãe de Eder Dr Maria Moura implora ao governo do Esprito Santo que envie o Exercito para Cabo Frio. O caso sobre a tortura dos jovem virou repercussão geral em varias cidades.

A suspeita é que o trio foi levado e torturado por criminosos que agem na Comunidade do Lixo na noite do último sábado (27). Um deles conseguiu fugir da quadrilha e disse à Polícia Civil que os três foram agredidos e obrigados a cavar as próprias covas.

O caso foi registrado na 126ª Delegacia de Polícia e a investigação já identificou seis suspeitos do crime.

Prima de Luiz Paulo, a técnica em administração Yasmin Silva Santos, de 24 anos, que mora em Ribeirão Preto (SP), afirma que os vigilantes foram confundidos com milicianos, enquanto ofereciam o serviço de segurança noturna aos moradores no bairro Parque Burle.

“Estão querendo parar com as buscas e a gente está desesperado. A família quer encontrar pelo menos o corpo para enterrar. A gente não tem certeza se está morto, mas a gente queria saber o que aconteceu, se foi torturado, se está vivo, ou se realmente morreu”, diz.

Luiz Paulo dos Santos França, de 29 anos, foi capturado por facção em Cabo Frio, RJ — Foto: Arquivo Pessoal

Yasmin conta que o primo morava em São Mateus (ES), mas se mudou há três anos para Campos dos Goytacazes (RJ), onde iniciou a empresa de segurança com os dois colegas. Os vigilantes tentavam expandir o serviço para Cabo Frio, quando foram capturados.

“A gente não quer essa história de lado. Ele não merece isso, não fez nada de errado. A gente tinha esperança de encontrar ele vivo, mas já tem muito tempo, não sabemos o que pensar. Enquanto a gente não ver o corpo, não tem como saber”, desabafa.

Um irmão de Luiz Paulo está acompanhando a investigação em Cabo Frio. O analista de sistemas, que prefere não ter o nome divulgado, porque tem medo de represálias, confirma que a Polícia Civil desistiu do caso após realizar buscas na última terça-feira (30).

Houve troca de tiros e um criminoso ferido foi socorrido e, de acordo com a Polícia Civil, preso em flagrante por tentativa de homicídio contra os policiais. O vigia que conseguiu escapar, entretanto, não reconheceu o suspeito baleado como um dos sequestradores.

“O delegado falou que não tinham achado nada e que iam dar por suspenso o caso, por enquanto, porque não tinha meios para avançar com a investigação. Eu solicitei – tanto eu, quanto a outra família – que colocassem cachorros farejadores. Ele disse que não tinha”, diz.

Héder Henrique, de 32 anos, foi capturado por facção em Cabo Frio, RJ — Foto: Reprodução/ESTV

O crime

Segundo o analista, o colega de Luiz Paulo que conseguiu fugir dos criminosos contou em depoimento que o trio foi capturado por volta de 23h50 de sábado, quando realizavam uma ronda de carro. Os vigilantes foram levados para a favela e agredidos.

“Foram obrigados a cavar – ele acredita que fosse a própria cova. Mas, como estava com as duas mãos machucadas, ele ficou quieto no canto. Um dos caras que estava de olho nele deu um vacilo. Nesse momento, ele conseguiu rolar por uma descida e fugiu”, relembra.

O rapaz correu por uma mata e caiu em um córrego, onde ficou escondido até a manhã de domingo (28), quando pediu ajuda. Ainda de acordo com o analista, o vigilante ouviu diversos tiros e suspeita que os colegas, Luiz Paulo e Heder Henrique, de 32 anos, tenham sido executados.

“O próprio delegado afirmou que, no dia em que o rapaz fugiu, pediram ambulância dos bombeiros para ele ser socorrido, e essa equipe foi abordada pelos bandidos antes de chegar ao local onde ele estava. Se ele estivesse dentro da ambulância, tinha morrido”, afirma.

O irmão de Luiz Paulo cobra da Polícia Civil a realização de operações na Comunidade do Lixo, na tentativa de identificar os criminosos e descobrir o paradeiro dos vigilantes desaparecidos. Desde domingo, o analista diz que passa os dias na delegacia, atrás de informações.

“Se os meninos estão mortos, eles têm que devolver o corpo. Mas, eles só fazem isso se forem pressionados na favela. Então, se todos os dias a polícia entrasse lá, fizesse busca, acabariam liberando. Já teve casos parecidos. Mas, a polícia alega que não tem efetivo”, afirma.