Com dois de Gabigol, Flamengo atropela o Palmeiras no Maracanã: 3 a 0

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O torcedor do Flamengo, gaiato e debochado por natureza, viu no Maracanã mais uma atuação que justifica a empolgação. Por mais que o primeiro turno do Brasileirão ainda não tenha terminado, a vitória contra o Palmeiras, atual campeão, teve uma cara de passagem de bastão. É como se o 3 a 0 sacramentasse o fim da era do pragmatismo, que deu certo ano passado, alçando ao topo uma equipe que não se cansa de encantar.

O Flamengo se mantém na liderança do Brasileiro chancelado por uma apresentação dominadora. A cada semana, o time dá um recado aos adversários valendo-se de um repertório — individual e coletivo — que é artigo de luxo no Brasil.

A capacidade criativa, o bom trato com a bola e a eficácia no ataque foram correntes que ataram as mãos do Palmeiras. O Fla ainda se aproveitou da instabilidade de um adversário atormentado pela eliminação recente da Libertadores.

O susto sofrido aos dois minutos de jogo, quando o Palmeiras fez, com o ex-botafoguense Matheus Fernandes, um gol que viria a ser anulado corretamente pelo VAR, foi o único momento de tensão para o rubro-negro no Maracanã.

A tranquilidade ficou explícita na conclusão de Gabigol no primeiro gol do Flamengo. O artilheiro do Brasileirão perdeu chances incríveis nos dois confrontos contra o Internacional, pela Libertadores. E parece que aprendeu a lição. Neste domingo, ao se ver diante de Weverton, Gabigol não titubeou e tocou por cima. “Hoje tem gol do Gabigol” virou uma profecia muito fácil.

A empolgação da torcida, que reiteradamente enche o Maracanã, acontece não só pela fase do atacante, que chegou ao 13º gol na Série A. Fla é um time que funciona do goleiro ao ponta.

O torcedor se encanta por Arrascaeta porque o uruguaio, além de ter dado o passe para Gabigol no 1 a 0, foi o autor do segundo do Fla, em uma cabeçada certeira.

O torcedor vibra por Bruno Henrique porque o atacante, que hoje se apresenta à seleção, dá um dinamismo impressionante ao ataque e foi quem cruzou com perfeição para o gol de Arrasca.

O torcedor aprecia por Éverton Ribeiro porque o capitão do time domina a bola como poucos e mina a marcação adversária com dribles e passes precisos.

O torcedor se rende a Gerson porque esse rapaz empilha atuações sólidas. Contra o Palmeiras, no primeiro jogo como herdeiro da camisa 8 que era de Cuéllar, foi um ponto de equilíbrio do meio-campo.

O torcedor aplaude Willian Arão — que não está nada mal — pela capacidade de se adaptar, sob a tutela de Jesus, às variações do meio-campo.

O torcedor se sente confiante com Rafinha e Filipe Luís porque vê dois nomes de peso que ainda fazem muita diferença em solo brasileiro e se encaixaram muito bem na estrutura do Fla. O lateral-direito, inclusive, sofreu o pênalti que originou o terceiro gol, em cobrança de Gabigol.

Por fim, o torcedor aplaude Rodrigo Caio, Pablo Mari e Diego Alves pela segurança defensiva dos últimos jogos. Eles não brincam com a bola, funcionam muito bem com a marcação alta e o volume de falhas está perto do zero.

Na próxima rodada, o líder Flamengo enfrenta o lanterna Avaí. Para terminar o turno, o duelo será contra o Santos, justamente o time com quem divide o topo da tabela.

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