Prefeitura de Cabo Frio busca médicos para recompor quadro

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“Procuram-se médicos especialistas e plantonistas interessados em trabalhar na rede municipal de Cabo Frio. Salário a combinar. Os interessados devem procurar a Secretaria de Saúde”. 

O anúncio de classificados é fictício, mas poderia ser verdade, afinal de contas, o município tenta recompor o mais rápido possível o quadro de médicos, depois que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) levantou que centenas de profissionais da área acumulavam três ou mais vínculos, inclusive em outros municípios, o que é proibido pela Constituição.

A situação levou a rede cabofriense a perder 226 médicos ao longo do mês passado.

O subsecretário de Saúde, Carlos Fernando Peçanha, disse que, para reverter o déficit, a prefeitura tem buscado acelerar as contratações, inclusive pedindo indicações de profissionais pelo WhatsApp. 

Ele afirma que não sabe quantos dos médicos que pediram exoneração tiveram a vaga novamente preenchida, mas admite a dificuldade de reposição, sobretudo por causa dos constantes atrasos salariais. 

Aliás, segundo o subsecretário, esse é o motivo para que, após o levantamento do TCE-RJ, os profissionais tenham optado por trabalhar em outros lugares e deixado a rede de Saúde de Cabo Frio. Contudo, Carlos Fernando salienta que os outros municípios da região passam pelo mesmo problema.

– Como a gente vem numa situação de atraso de pagamento, muitos optaram por pedir a exoneração. Estamos buscando a contratação de imediato, sem nenhuma dificuldade. A gente está muito preocupado com essa questão. Estamos pedindo para colocar nos grupos pra ver se consegue plantonistas e especialistas. Já vínhamos com dificuldade com mastologistas, oftalmologistas, e outras especialidades e, com as exonerações, há mais dificuldade ainda. Também estamos com dificuldade com os médicos do PSF, na Atenção Básica. Há oito dessas unidades com déficit de médicos. Mas esse reflexo não está sendo só em Cabo Frio, mas em toda região. Estamos com um pouco mais de dificuldade, mas tentando viabilizar de melhor maneira – explica.

Como ‘melhor maneira’, o subsecretário explica que alguns dos médicos remanescentes estão sendo remanejados entre as unidades para que o atendimento não seja prejudicado, a cerca de um mês da alta temporada. Além disso, os profissionais estão sendo estimulados a trabalhar em outros dias mediante o pagamento de aditivo salarial. 

A situação vale, inclusive, para o Hospital de Tamoios, que recentemente incorporou a equipe da UPA, que está em obras até o ano que vem. 

– Antes de acontecer (as exonerações) a situação, a gente estava com equipe completa. A nossa dificuldade era com relação ao atraso do salário. Enquanto não entrava o pagamento, a equipe trabalhava em forma de restrição, só atendia urgência e emergência. Quando fizemos a mudança, juntamos as duas esquipes, a equipe estava completa, e agora veio essa situação. Mas estamos tentando tapar os buracos com extras ou com mais um vínculo – explicou.

Fonte: Folha dos Lagos