Colunista Lorena Serpa / É proibido pensar! É proibido enxergar! É proibido falar! É proibido ouvir!

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Confesso que tecer uma reflexão sobre essa temática é algo apaixonante e desafiador. Primeiro porque há muito a se dizer e pensar, segundo porque confrontarmos a nós mesmos não é confortável, muito pelo contrário. Quem quer ser retirado de sua “zona de conforto”?

Para que possamos refletir de forma clara e significativa sobre essa temática, sem exaustão, iremos dividir a mesma em quatro partes, a fim de que você que está acompanhando essa leitura não seja sucumbido (a) pela extensão que se da aos fatos e abandone a essa provocação que lhe convido nesta hora. Assim, iremos iniciar falando sobre:

PENSAR! E a essa palavras e as demais a serem trabalhadas, cabem as seguintes perguntas: POR QUE É PROIBIDO PENSAR? OU POR QUE SE TORNOU PROIBIDO PENSAR?

Usando a afirmativa de Albert Einstein onde a leitura após certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo o homem que lê demais e usa o cérebro de menos adquire a preguiça de pensar! Estaríamos nós tão preguiçosos a ponto de não mais pensarmos?

Nosso cérebro é um músculo e precisa ser exercitado constantemente a fim de evitar a fadiga. Interessante é pensar sobre a facilidade ao acesso da “informação” e conteúdos há um minuto na palma da mão, no entanto, ainda assim estamos com nossos cérebros atrofiados! Estamos perdendo a cada dia nossa capacidade de pensar.

Existe um filme ao qual utilizamos muito para refletir a cerca da gestão empresarial e suas metodologias chamado Tempos Modernos, protagonizado por Carlitos – personagem clássico de Charles Chaplin.

Tempos Modernos é um filme que retrata a vida urbana nos Estados Unidos no ano de 1930, demonstrando os modos de produção industrial baseados na divisão e especialização do trabalho na linha de montagem. O Taylorismo e o Fordismo modelos de métodos utilizados dentro da gestão empresarial são modelos de produção baseados na divisão do trabalho, ou seja, cada operário fica responsável por uma etapa do processo produtivo.

A produção em massa deve ser realizada no menor tempo possível, a repetição de exercícios por parte do operário causa a alienação do mesmo. Uau! Isso lhe soa familiar? O que esse modelo científico traz a sua memória? Eu não sei você, mas quando lemos que a repetição de exercícios causa alienação, e a produção em massa não permite ao menos um suspiro por parte do operário, isso faz acender uma lâmpada em nossa mente!

Você sabia que a criança em sua face de aprendizagem aprende pela repetição? Que o ser humano ao chegar à fase acima dos 60 anos, reaprende pela repetição? Bom, mais o que tudo isso tem haver com o PENSAR? Isso tem tudo haver e muito deve nos chamar atenção! Quando somos submetidos a repetições, perdemos a capacidade de enxergar ao que está a nossa volta, não conseguimos usar toda capacidade do nosso cérebro para pensar, pois estamos presos em uma lacuna a qual não conseguimos nos desprender.

Pensar de forma crítica é sair dessa lacuna, é fazer o movimento inverso, o qual chamamos: pensar “fora da caixa”, envolvendo um juízo intencional, no sentido de refletir sobre em que se deve crer ou de como reagir a um exame minucioso, a uma vivência, a uma manifestação oral ou textual, e até
mesmo a proposições alheias. Ele também está ligado à definição do conteúdo e do valor do objeto da observação.

É bom frisar que o pensamento crítico não tem a intenção de transmitir uma visão pessimista do contexto nem apresentar uma tendência a achar imperfeições e erros. Também não pretende modificar a mentalidade dos indivíduos ou ocupar o lugar reservado à afetividade e aos sentimentos. Ele dialoga com os atores envolvidos. Seu propósito é impedir que as tensões da sociedade provoquem a padronização e a passividade, ou seja, a alienação.

Não é a toa que ser alguém que PENSA “fora da caixa” é sinônimo de ameaça, afinal, já imaginou quebrar todos os paradigmas construídos ao longo dos anos por uma cadeia em massa? Como seria se iniciassem discussões construtivas e significativas e assim como uma criança cheia de curiosidade por estar construindo sua base, lançasse os por quês? Destruir o monopólio daqueles que divulgam “conhecimento” sem fundamento? E pior, tornar as pessoas apaixonadas em exercitar seu cérebro, tornando-o ativo, cheio de vida!

Hoje convido você a voltar a PENSAR, a questionar, a investir na saúde do seu cérebro, buscar conhecimento significativo, observar, ser um investigador de fatos e ser um agente de transformação, mesmo que isso lhe custe à exclusão social.
Continuamos na próxima semana…

Lorena Serpa
Pedagoga
Gestora Empresarial em MBA

Captura de Imagem: Maria Eduarda Aud
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