Colunista Tiago Santos / A Morte da Verdade: Fake News, Pós- Verdade e Desinformação.

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Uma mentira dita muitas vezes pode se tornar verdade? O questionamento remete à polêmica e simbólica frase do ministro da propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels, durante o nazismo.

Vivemos a era da desinformação, nomenclatura adotada pela União Européia para lidar com o fenômeno mundial da disseminação de notícias falsas.

O termo Fake News surge na imprensa internacional, após a eleição de Donald Trump nos EUA em 2016. A vitória de Trump surpreendeu o mundo e levantou suspeitas de que os russos teriam interferido nas eleições americanas, através dos chamados “trolls” e “perfis falsos em redes sociais”.

O escândalo chamado nos Estados Unidos de “Russiagate” alertou sobre uma possível conspiração entre o presidente norte- americano e o Kremlin visando à eleição de Trump.

Hackers russos teriam invadido os arquivos do Partido Democrata e vazado informações para a organização transnacional WikiLeaks que publica em seu endereço eletrônico postagens de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis.

Os arquivos revelavam ações de Hillary Clinton para prejudicar o senador americano Bernie Sanders, ainda na disputa das primárias. Segundo os democratas, essas informações, que vieram a público dias antes da eleição presidencial, foram cruciais para a vitória de Donald Trump.

No Brasil as últimas eleições presidenciais foram marcadas por uma forte atuação de empresas especializadas na propagação de notícias falsas e que foram alvo de ações que tramitam atualmente no Tribunal Superior Eleitoral.

Os processos de desinformação não se caracterizam como uma “novidade”, acontecem há séculos, no entanto, a tecnologia propiciou um alcance até então inimaginável. Com apenas um click, notícias falsas atingem um número imensurável de pessoas.

Nesta ótica, as redes sociais se tornaram um campo fértil para alimentar a desinformação, pois poucas pessoas checam a veracidade das informações que consomem, pesquisas apontam que há um certo prazer em disseminar notícias falsas.

Na era da pós- verdade, o que menos interessa é a busca pelo fato real, pois o que se pretende é emplacar a verdade construída pelo propagador da desinformação, parafraseando, Nietzsche: “não há fatos, apenas interpretações”.

O fenômeno das Fake News estará presente nas eleições municipais com uma força avassaladora, inundará o público com desinformação, produzindo distrações para diluir a atenção e o foco, deslegitimando a imprensa que fornece informações corretas, semeando a confusão, o medo e a dúvida deliberadamente, criando rumores ou alegando que determinadas informações são boatos e incitando campanhas persecutórias destinadas a dificultar o funcionamento de canais confiáveis de informação.

A solução para lidar com esse grave problema que afeta todos os regimes democráticos pelo mundo, passa pela chamada “educação digital” que iremos falar no próximo artigo, ensinaremos como identificar notícias falsas e como evitar a sua disseminação.

Dr. Tiago Santos é Advogado, Mestre em Ciência Política e Especialista em Gerenciamento de Reputações

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