Colunista Lorena Serpa / Para onde foram os sonhos?

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Você é uma pessoa sonhadora? Você continua sonhando, ou deixou de sonhar?

Num período passado, muitos de nós éramos chamados de sonhadores, pessoas que viviam com a cabeça nas nuvens, imaginando uma profissão, um desejo, a formação de uma família, uma determinada ambição, e tantas outras coisas.

Mas com o passar dos anos, temos ouvido de estudiosos a seguinte afirmativa: a geração atual, não sonha mais, não tem perspectiva de futuro. Mas, eu ainda questiono se é apenas a geração atual que deixou de sonhar, ou se nós, pessoas mais “experientes” também deixamos de sonhar? E a pergunta é: por quê? Para onde foram os sonhos?

Dialogando com um grupo de mulheres, essas destacaram alguns motivos para não mais sonhar, ou a interrupção dos sonhos e alguns desses foram: o medo, o peso e a interferência da fala de outros, se verem incapaz.

Augusto Cury vai dizer que nunca tivemos uma geração tão triste. É aula de línguas, de esporte, de computador, de música, disso e daquilo. Eles têm tempo para tudo, menos de serem crianças, de brincar e de sonhar. O diálogo está morrendo dramaticamente. As famílias modernas se tornaram um grupo de estranhos, próximos fisicamente e muitos distantes interiormente.

Milhões de filhos no Brasil e no mundo são órfãos de pais vivos. Eles dão muitos presentes para os filhos, quando têm condições colocam numa boa escola e os enchem de bens materiais, mas erram ao não dar aquilo que o dinheiro não pode comprar que é a sua própria biografia.

Acompanhe esse relato:

“Hoje, pela manhã, bem cedo, vi um menino na rua, em uma caçamba, catando material reciclável. Suas pequenas mãos, àquela hora, ainda bem friozinho (ele estava sem casaco) catavam com a precisão de quem desde cedo já lida com o traçado. Não aguentei. Parei, perguntei nome e idade, porque não estava na escola, enfim, que era bom pensar na escola, no futuro. Fiquei pensando nos meus filhos, bem mais velhos, ainda curtindo o quentinho da cama, e agradeci a Deus.

Seu nome, Lucas, idade, 13 anos, vindo a pouco da roça, engrossa as fileiras da família na catação ou garimpagem, como queiram. Falei que ele deveria estudar, e ele disse que a família já estava procurando escola para ele.

Perguntei em que parte do Borel ele vivia e me armei para a pergunta final. Inquiri-o sobre pensamentos de futuro, falei rápido, porque já havia me detido um tempinho ali com ele. O que você quer ser, quais seus sonhos para o futuro?

Ele parou (o único momento em que parou de catar durante a conversa), olhou para um ponto imaginário, demorou alguns segundos e disse que queria ser empresário. Saí, as lágrimas desobedientes apareceram, e fui, rumo ao meu destino e pensando na miséria de nossos dias, nos homens de terno escuro e religiosos, que nunca pensarão em promover a possibilidade de um futuro para Lucas.

Ao fazer a pergunta, queria provocar Lucas a pensar que é possível sonhar. Sua demora em falar do seu desejo de futuro é o espelho do que fizeram a essa geração e a constatação do nosso fracasso como sociedade, geração que não sonha, nem sabe o que é sonhar.”

O que vem a sua mente com essas afirmações? Você conseguiria pensar que parte da ausência desses sonhos, temos nós uma parcela significativa de responsabilidade?

Sonhar é preciso!

O homem ou a mulher que não sonha se transforma em uma pessoa triste. Digo que se transforma, porque a capacidade de sonhar é própria do ser humano: ele nasce com ela, mas pode ser que a vá perdendo com o passar dos anos e, com isso, vá também se desumanizando.

É triste ver alguém abandonar seus projetos de vida por causa de decepções, por medo de se ferir, por desacreditar de e si próprio ou simplesmente por falta de perspectiva. Uma geração que não sonha é uma geração fraca, porque a vontade das pessoas se torna fraca. Instaura-se uma espécie de contentamento em “esperar sentado” que suas necessidades sejam satisfeitas.

Segundo o dicionário a palavra “desejar” evolui de uma expressão latina que significa “estar sentado”. No entanto, sonhar é mais que ter desejos, é aspirar, é imaginar-se lá, transportando-se em “espírito” em direção ao que o próprio espírito almeja.

São os sonhos que tornam a vontade forte, enraizada na alma: vontade férrea. Esse tipo de “querer” não pode ser facilmente despedaçado, porque é infinitamente superior às decepções e durezas desta vida.

É necessário urgentemente, organizar a vida priorizando o que realmente é importante. Somos rápidos em responder, mas não questionamos nossas convicções antes de falar. Não refletimos sobre o que é prioridade. Definir o que é importante nos traz benefícios tanto no presente quanto para o futuro.

Augusto Cury faz uma ponderação muito pertinente: “Critique os estímulos visuais e sonoros, não se torne escravo da tecnologia e diminua o ritmo. Isso vale para crianças e adultos.

O exagero de dados é registrado involuntariamente por um fenômeno inconsciente, o Registro Automático da Memória (RAM), transformando nossa mente em um depósito de informação, o que nos torna hiperativos.”

E ainda podemos ponderar que nos torna “cegos” aos detalhes, deixa-nos desumanizados, insensíveis a tudo o que se passa ao nosso redor, torna-nos imediatistas, se não for agora, não queremos mais.

Os sonhos são imaginados, traçados, focados em alcança-los. Não é imediato, é uma construção e busca. Há um caminho a se percorrer!

“Sonhar não é esperar e, sim esperançar. Quando se tem esperança, as montanhas se movem, os caminhos se abrem, as dores se transformam em experiências de crescimento e o medo tem que ceder espaço à coragem” Dijanira Silva, 2016.

Hoje quero desafiar você a voltar a sonhar! A se esperançar!

Lorena Serpa
Pedagoga,
Especialista em MBA, Gestão Empresarial
Estudante de Psicopedagogia Clínica