Colunista Lorena Serpa / Indiferentes ou Anestesiados?

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Você já parou para observar tudo o que está acontecendo em nosso mundo? No estado do Rio de Janeiro e tantos outros?

Gostaria de começar essa reflexão trazendo a memória o filme Erin Brockovich – Uma mulher de talento do ano de 2000. Se você ainda não assistiu, deixo o convite para que o faça ainda hoje.

O filme em questão recebeu vários prêmios e um deles foi pela interpretação impecável da atriz Julia Roberts.

A história de Erin Brockovich personagem principal do filme, interpretada pela atriz citada, destaca-se como uma mulher solteira, mãe de três filhos que se vê confrontada com a necessidade de ter que trabalhar para sustentar os mesmos, após perda de uma ação judicial referente a uma batida de carro, onde o tribunal a julgou discriminadamente como uma pessoa com “problemas de saúde”, instável, sendo ela uma pessoa que passara por teve vários relacionamentos.

O seu advogado de defesa a emprega em seu escritório e ao estar organizando arquivos de um caso judicial, sem ter os conhecimentos de uma verdadeira advogada, ela decide investigar um caso que confronta uma PODEROSSÍSSIMA EMPRESA, a PGE – Gás e Eletricidade do Pacífico e acaba descobrindo que a empresa vem contaminando as águas de uma pequena cidade localizada na Califórnia.

A empresa vem cometendo elevados crimes ambientais, dos quais resultam inúmeros casos de mortes, doenças, onde muitos desses moradores contraíram câncer.

Apaixonada pelo seu trabalho e pelas vidas, Erin vive como se fosse sua própria história, ouve cada morador, cada relato, sabendo assim cada dor, cada nome e vai se deparando com um volume absurdo de pessoas contaminadas.

A firma que Erin representa é pequena, do interior, enquanto os advogados que representavam a empresa envolvida eram de “auto escalão”. Mas isso em nenhum momento intimidou Erin. Numa luta cara a cara com esses advogados após alguns meses, finalmente consegue levar o caso a um tribunal e a PGE – Gás e eletricidade do Pacífico é condenada a pagar R$ 333 milhões de dólares em indenizações a cada morador afetado.

O que quero destacar com esse relato é que a não indiferença fez toda a DIFERENÇA nessas vidas, elas ganharam voz, elas foram percebidas.

Costuma-se definir uma pessoa indiferente como alguém que “não sente, nem sofre” Pensar que alguém é indiferente é atribuir a ela uma série de adjetivos que não têm quase nada a ver com o ideal de uma pessoa virtuosa.

A indiferença está associada à insensibilidade, ao desapego e à frieza, características essas, que não combinam, com a condição social que nós, seres humanos vivemos, ou deveríamos viver. Ser indiferente quer dizer que “nada nos interessa”, que não sentimos nada frente a uma situação ou pessoa, que “tudo dá no mesmo”.

Vivemos, atualmente, num mundo das indiferenças. Originado da não ética pessoal, o Ser se torna indiferente diante da vida e de si mesmo. A indiferença, por sua vez, leva a banalização ou ao “tanto faz”. Ela é a negação dos próprios sentimentos em relação à vida. Em tempos de tanta competição, vingança, comparações, o ser humano sofre na própria pele as consequências de sua indiferença perante a vida.

A grande questão é o que está por trás desse sentimento que mais parece ausência de sentimento, porém é a presença de várias emoções disfarçadas. Ele pode denotar desinteresse, isolamento e até apatia, causados pela falta de tempo ou de confiança e mesmo pela depressão. Pode ser apenas uma sábia decisão, para não acirrar uma briga, uma inimizade, mas também sinalizar fuga, defesa ou desprezo pelos outros.

Em épocas de emoções voláteis e volúveis, que surgem e somem com toques na tela do celular, pessoas automatizam, condicionam e banalizam suas reações e relações.

Vivem extremadas com o que e quem não lhes dizem tanto respeito, mas indiferentes com aquilo que mais deveria lhes importar. Vivem reféns do medo, no limite entre a adrenalina e a anestesia.

Vários são os setores em que podemos observar a indiferença como principal causa de sofrimento e estagnação do indivíduo.

Nosso planeta encontra-se na UTI já há algumas décadas; mas o ser humano continua destruindo florestas, desviando os rios para construir barragens, queimando matas, assassinando animais, poluindo rios e mares em nome do progresso e da evolução em busca de dinheiro e poder pela indiferença com a vida e o viver. A água potável está ameaçada de extinção por um tempo inferior a 40 anos segundo alguns pesquisadores, já haviam relatado há alguns anos atrás.

Pela nossa indiferença elegemos governantes despreparados para dirigir a própria vida; mas com a promessa da ‘multiplicação dos pães’, das soluções milagrosas dos problemas coletivos refletidos em cada indivíduo em particular.

Governantes que fingem dar o peixe; mas que não ensinam a pescar. Vivemos numa época em que temos que ensinar as pessoas a dirigirem a própria vida.

Pois, quando não dirigimos a nossa vida, nos colocamos entre dois caminhos: procuramos alguém para dirigir a nossa vida ou então passamos a dirigir a vida de outro, transformando-o, muitas vezes, em nossos súditos (escravos de nosso ego).

O que nos leva à pergunta: qual será o motivo que leva o ser humano a valorizar de forma cega as pessoas malignas disfarçadas de líderes populares, tal como foi Hitler e Stalin de ontem?

É pela indiferença que damos ao outro o poder para, em seguida, sermos manipulados e dominados por eles. Quando alguma pessoa tem poder, este poder lhe foi dado por alguém ou por um grupo de pessoas; pois ninguém nasce ou adquire poder por si mesmo. Se você não nomeia alguém para ser importante, para se tornar ídolo ou líder; ninguém poderá exercer tal papel sobre sua pessoa.

Portanto, só há dominantes porque existem os dominados. Somente sonha com a liberdade àquele que se permitiu aprisionar-se.

Triste do País que necessita de ídolos para sobreviver; infeliz daquele que precisa de um “governo” para guiá-lo pela vida. Somos corrompidos pela nossa ignorância, pelo nosso medo da vida, pela nossa insegurança perante nós mesmos, portanto, somos corruptos de nós mesmos, como já diz a bíblia sagrada em Jeremias capítulo dezessete, versículo nove: “nosso coração é enganoso e desesperadamente corrupto”.

Pela indiferença de toda ordem temos nos transformado em covardes com nossa própria vida, como foi dito por alguém: “Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz”.

Não podemos negar o que somos e o que temos; mas podemos a partir da compreensão e aceitação do que somos e do que temos a melhorar quanto a nossa posição perante a vida e o viver. Nossas escolhas irão determinar o nosso amanhã e, não escolher, também é uma escolha.

Quais as escolhas que você tem feito para sua vida? Não podemos negar que foi a escolha de ontem que te trouxe até aqui e, será ela que determinará o seu amanhã.

Quanto nossa postura como cidadã, quais escolhas temos feitos? Até que ponto somos insensíveis ou permaneceremos anestesiados? Já não seria hora de escolhermos mudar e valorizar a VIDA?

Que hoje possa pulsar em nosso interior o desejo de nos tornamos pessoas que façam a diferença!

Lorena Serpa
Pedagogia
Especialista em MBA Gestão Empresarial
Estudante de Psicopedagogia Clínica

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