Colunista Lorena Serpa / Solte os Pesos

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Há algumas semanas assisti a uma palestra, onde a oradora dava um exemplo fantástico quanto a nossa necessidade ou automatização de nos sobrecarregar.

O exemplo apresentado descrevia uma pessoa na academia pegando todos os pesos ao mesmo tempo, como se a sobrecarga fosse proporcionar algum benefício, ou atingir sua meta instantaneamente devido a estar em posse de todos aqueles pesos.

Tentar imaginar uma pessoa segurando esses pesos não faz muito sentido, afinal, quem seria o louco(a) de fazer algo assim? Pois bem, eu, você, a sociedade; estar por fazer isso a todo o tempo, não com os pesos da academia, mas com os mais variados pesos que trazemos para a nossa vida individual, sobrecarregando toda nossa estrutura, emocional, física, espiritual, profissional, familiar e etc.

Há um relato na bíblia sagrada, em Mateus capítulo dez, onde Jesus chega a casa de Marta e Maria. Estando ali, Maria está aos pés de Jesus, enquanto Marta está agitada, de um lado para o outro, por fazer diversas coisas ao mesmo tempo. Ao questionar a Jesus se ele não está vendo que Maria está ali sem fazer nada, enquanto ela está se desdobrando, Jesus diz para ela a seguinte frase: “Marta, Marta, estás ANSIOSA e te OCUPAS com MUITAS COISAS.”

O que desejo provocar com esses dois cenários tão distintos, mas ao mesmo tempo interligados é que os pesos que carregamos possuem nomes: ANSIEDADE E PREOCUPAÇÃO. Essas duas palavras caminham uma ao lado da outra, não é atoa que ambas se tornaram a “doença do século”.

Quantas pessoas sofrem por ansiedade e a forma de “extravasar” de fuga, se dá por meio de MUITAS OCUPAÇÕES, outros por vícios, outros por simplesmente dormir horas ininterruptas, e tantas outras coisas que poderíamos descrever.

A ansiedade pode levar a um comportamento perigoso. Quando anestesiamos nossos medos com comida ou bebida, quando despejamos raiva como o vulcão Krakatoa, quando vendemos nossos medos para alguém que irá comprá-los, estamos abrindo portas que podem nos levar a lugares perigosos.

Se a ansiedade tóxica levar você a abandonar seu cônjuge, negligenciar seus filhos, quebrar contratos ou corações, cuidado! Jesus deixou esta palavra: “Tenham cuidado, para não sobrecarregar o coração de vocês de […] ansiedades da vida” (Lucas 21:34).” 

O que devemos nos perguntar é: toda essa sobrecarga vai resolver nosso sofrimento que antecipamos e muita das vezes só acontece dentro da nossa cabeça?

Estudiosos da área da saúde e médicos afirmam que a ansiedade é o “mal do século”. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 9,3% da população têm algum transtorno de ansiedade. 5,8% da população é afetada pela depressão, no Brasil. O país tem a maior taxa do mundo de pessoas com transtornos relacionados a esse mal. As vendas de calmantes e antidepressivos são cada vez maiores.

            Uma psicóloga falando sobre gerenciamento do estresse em uma palestra levantou um copo d’água. Todos pensaram que ela perguntaria “Meio cheio ou meio vazio?”. Mas com um sorriso no rosto ela perguntou “Quanto pesa este copo de água?” As respostas variaram entre 100 e 350g. Ela respondeu:

“O peso absoluto não importa. Depende de quanto tempo você o segura. Se eu segurar por um minuto, não tem problema. Se eu o segurar durante uma hora, ficarei com dor no braço. Se eu segurar por um dia meu braço ficará amortecido e paralisado. Em todos os casos o peso do copo não mudou, mas quanto mais tempo eu o segurava, mais pesado ele ficava”. Ela continuou:

“O estresse e as preocupações da vida são como aquele copo d’água. Eu penso sobre eles por um tempo e nada acontece. Eu penso sobre eles um pouco mais de tempo e eles começam a machucar. E se eu penso sobre eles durante o dia todo me sinto paralisada, incapaz de fazer qualquer coisa”. Então lembre-se de “largar o copo”

            Que tarefa difícil para nós! Não é mesmo? Isso, porque vivemos no século do imediatismo, onde tudo precisa acontecer no agora, em instantes, mas a vida não é feita de imediatismo, mas de processos, de ciclos. Pense numa criança, ela começa a engatinhar, em sequência começa a se levantar para se firmar em suas pernas, após, inicia-se os primeiros passos, ela cai, levanta, até que se sinta segura para correr e depois de alguns momentos, ou tempo, estará andando com total segurança, porque ela está pronta para aquilo.

Não há possibilidade da criança já “nascer andado”, existe um processo que precisa ser esperado. Da mesma forma é a nossa vida, precisamos saber ESPERAR, mas nessa espera, não trazermos para nós OCUPAÇÕES que façam nossa mente “distrair” quanto a esse processo.

“Preocupação tem mais dúvidas do que respostas, mais trabalho do que energia, e pensa com frequência em desistir. Nunca tem o suficiente de tempo… sorte… crédito… sabedoria… inteligência… parece que está faltando tudo, então por isso nós nos preocupamos.

Mas a preocupação não funciona. Você pode dedicar uma década de pensamentos ansiosos à brevidade da vida, e não estendê-la por um minuto.” A preocupação nada adianta, afirma Max Lucado.

Por mais difícil que seja, quero convidar você a se olhar, fazer um autoexame de sua sobrecarga e simplesmente se permitir a SOLTAR OS PESOS. Eles não lhe abreviarão a nada, somente irá proporcionar acúmulo, desgaste e mais e mais ansiedade.

SOLTE OS PESOS!

Lorena Serpa

Pedagoga

Especialista em MBA Gestão Empresarial

Estudante de Psicopedagogia Clínica

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