Colunista Lorena Serpa / Insegurança

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Em algum momento você já se percebeu inseguro(a)?

Já se perguntou o porquê de se sentir inseguro(a)?

Já tomou algum tipo de ação pensando ser a mais linda e amável possível e a interpretação do outro foi totalmente diferente de suas intenções, trazendo um estranhamento e gerando insegurança?

Ora ou outra, esse sentimento bate a nossa porta. Ele vem nos diversos tipos de relações: amizades, romances, profissionais, familiares, tomada de decisões, dentre outras. Muitas vezes a pessoa se sente inseguro porque não sabe “que sabe”, nunca se deu a oportunidade de testar sua própria capacidade, pode existir uma “crença” de que não consegue.

Outros exemplos seria a insegurança que aparece quando a pessoa não consegue ter iniciativa diante de atividades as quais gostaria muito de participar, por exemplo, ir numa festa, puxar conversa com alguém interessante, ir ao clube, ir à ginástica, iniciar algo novo…

O que está por trás da insegurança pode ser um medo, por exemplo, medo de ser rejeitado, medo de que as coisas não deem certo, medo de ficar só, medo de ficar pobre, de ficar desempregado, mede de não ser compreendido, medo em se expor, medo de se lançar, se arriscar. Muitas vezes aparece o medo de não saber reagir caso outra pessoa seja agressiva. Quantas vezes alguém fica quietinho por medo do que o outro pode fazer? Outras vezes bate insegurança quando a pessoa não se sente bem para dar sua opinião, de dizer o que pensa, é o medo de se afirmar, de ser você mesmo. Você percebe que uma pessoa pode ser insegura quando adia interminavelmente as coisas, “ depois eu faço”, e não faz nunca. Adia uma conversa, adia uma compra, adia uma atitude, adia um curso, adia a verdade em ser, e etc.

A principal emoção que está inserida no contexto da insegurança é o medo como já mencionamos, mesmo ele sendo fundamental para a nossa sobrevivência, onde nos protege diante de situações de riscos reais, quando ele ultrapassa o medo saudável e protetor, se torna disfuncional gerando grande angústia, insegurança e surge o medo de não ser aceito, medo do abandono, medo de não saber lidar com reação do outro. As crenças envoltas no medo podem ter sido iniciadas na nossa infância e se cristalizaram ao longo do desenvolvimento, e podem se revelar como “crenças” de abandono, menos-valia, incapacidade e “desvalor”.

Segundo Daniela Miranda Farias, Psicóloga, um comportamento ansioso pode estar ligado a propensões genéticas, contexto familiar e história de vida. A segurança emocional é construída desde o nascimento e em todo o processo de desenvolvimento da pessoa, sendo então afetada diretamente por experiências, crenças e influência dos pais ou cuidadores. Experiências que foram traumáticas podem resultar num aprendizado disfuncional resultando em insegurança emocional.

A insegurança nos envolve em um estado emocional frágil, onde podemos sentir diversas emoções e crenças, tais como:

·         Sentimento de inferioridade

·         Sentimento de incapacidade

·         Não merecimento

·         Medo de fracassar

·         Medo de ser rejeitado

·         Medo de ser criticado

·         Medo de não atender a expectativas

·         Dificuldade na tomada de decisões

·         Acredita que está sempre sendo julgado

·         Se sente injustiçado

·         Perda da autoconfiança

·         Pouca assertividade

·         Baixa autoestima

·         Dependência

Além de todos estes sintomas que surgem a partir de crenças de “desvalor” e desamor, um outro comportamento que pode ser resultante dessa situação é a auto sabotagem. Ela acontece quando a pessoa muito insegura passa a não acreditar que ela é merecedora de ser feliz e conquistar seus sonhos, pois está sempre esperando pelo pior, e tende a criar situações que bloqueiam sua felicidade e busca de prazer nas coisas.

Busque conhecer a você mesmo. Conheça seus pontos fortes e pontos fracos e aprenda a lidar com eles. Você não é o que os outros pensam de vocês, nem pode ser o que esperam de você.

A saúde psicológica vem de lidar com esses medos e inseguranças. Lembre-se de se amar e não submeter-se aos outros para obter aceitação. Ninguém é igual a ninguém. Às vezes não estamos com um parceiro ideal para nós e nos forçamos a obter o aval dele para se sentir melhor. Evite e não aceite pressões morais para manter-se em relacionamentos falidos, e quando me refiro de relacionamentos, amplio o assunto, pois somos sereis relacionais, precisamos conviver com pessoas, não somos uma ilha, por isso, é preciso verificar e reavaliar nossos relacionamentos.

Saiba que sempre haverá alguém que irá aceitá-lo(a) e amá-lo(a) como você é, consciente do que pode ser melhorado e de suas principais virtudes. Relacionamentos abusivos deixam marcas profundas e devem ser evitados a todo o custo. 

A bíblia sagrada em primeira João, capítulo quatro, versículo oito, vai afirmar que: “no amor não há medo; ao contrário, o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.”

Que tal desafiar a você a se amar, a se enxergar como uma pessoa capaz, como uma pessoa cheia de potencial, como uma pessoa que tem todo o direito em dizer não, de ser feliz, de fazer escolhas, de errar e de acertar, coloque toda a sua insegurança numa folha de papel, escreva ali, tudo aquilo que aflige o seu coração, sua alma, faça um propósito de escolher viver, de se curar e se permita ser amado(a) por pessoas que verdadeiramente enxergam quem você é.

Lembre-se: numa mundo plural, seja você singular e se rodeia de pessoas singulares!

Vamos começar juntos a colocar toda insegurança em seu devido lugar?

Lorena Serpa

Pedagoga

Especialista em MBA Gestão Empresarial

Estudante de Psicopedagogia Clínica