Colunista Lorena Serpa / O Perigo da Ausência de Diálogo

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Quantas situações já passamos, que trouxeram desgaste e incômodo pela ausência de um simples diálogo?

Quantas coisas poderiam ser evitadas e sofridas se simplesmente tivéssemos mais coragem para dialogar?

Quantas coisas deixamos de experimentas e vivenciar porque situações não entendidas, mau interpretadas, nos dominaram pela falta do diálogo?

O diálogo está enraizado em nossa estrutura humana e é de fundamental importância em qualquer esfera: profissional, familiar, amizade, círculos sociais e etc.

Imagine você, um engenheiro dar início a um projeto de construção juntamente com sua equipe, sem um total entendimento, sem o diálogo necessário de forma clara e objetiva onde cada colaborador devera executar sua função de forma muito específica. Se essa comunicação não for clara, houver ruídos, dúvidas, e essas não forem esclarecidas, poderá colocar em cheque toda estrutura da construção; Tal é a importância em se dialogar.

Aquele que, verdadeiramente fala e escuta, está sempre disposto a explicar e a ouvir explicações sobre algo que, por alguma razão, não foi totalmente captado, processado ou compreendido; como disse Arendt, através do “falar” e do “ouvir” podemos “mudar, ampliar, agudizar, iluminar.

O diálogo tem em sua essência o desconstruir equivocado e conflituoso. Guerras podem ser evitadas por um simples dialogar e esclarecimento dos fatos. Uma família pode ser restaurante pelo dialogar, apresentando o que cada um carrega dentro de si, as tantas falas mal compreendidas e não ditas também. As empresas só podem ter sucesso, junto a uma equipe que a todo tempo dialoga, troca e se alinha.

Valorizar e praticar o diálogo incessantemente são caminhos eficientes para a construção de um mundo de paz e harmonia; o verdadeiro diálogo fortalece as relações entre os homens e ilumina seus caminhos evitando, assim, atitudes e ações prejudiciais à sociedade e a si mesmo. Aquele que dialoga não impõe suas ideias ou vontades, não rejeita simplesmente as opiniões contrárias ou divergentes, não se sente o comandante absoluto e nem exige obediência cega e total; o indivíduo que dialoga, escuta, aprecia e analisa todas as ideias, opiniões e experiências, o outro é tão importante quanto ele. Nunca é demais lembrar que, apesar de vivermos no mesmo mundo, a visão que se tem dele depende da situação, da posição a qual cada um nele se encontra inserido.

A ausência de diálogo constroem-se muros, abismos, indiferença e quando nos damos conta, podemos estar num caminho aparentemente sem volta, se não tivermos a coragem em recomeçar.

Vemos hoje um dos problemas que é a falta de tempo ou o excesso de consumo tecnológico, onde muitos pais, casais, deixaram de lado este hábito de dialogar. Ou, por vezes, a conversa passa a se tornar um monólogo, devido à falta de interesse do ouvinte.

Só o diálogo constrói entendimentos que levam à compreensão das mudanças e transformações tão velozes neste tempo. A vivência desse exercício mostra a importância da participação do ser. Garante lucidez na condução de processos e engradece a alma, fazendo-a apreciar o que se baseia no altruísmo.

O diálogo, longe de ser “conversa fiada”, fofoca, palavras trocadas pelo simples gosto de falar, especialmente aquele gosto muito comum de se falar dos outros, é a construção de entendimentos, da seriedade no que se faz e da busca pela verdade. Promove, assim, a coragem da transparência, em todos os sentidos e níveis, balizando na honestidade relações e funcionamentos.

Segundo Augusto Cury: “Os fracos usam a força, os fortes usam o diálogo. Os fracos dominam os outros, os fortes promovem a liberdade.”

O diálogo nos liberta amplia a mutualidade, traz paz ao coração, reconstrói, gera vida, perdão e nos faz crescer pela busca diária da coragem em sermos pessoas verdadeiras onde nossos reflexos não sejam borrões ofuscados, mas luz que ilumina a escuridão.

Quero desafiar você a iniciar hoje o diálogo seja com quem for e quebrar as barreiras construídas pela ausência deste, que no lugar de abismos, sejam construídas pontes de amor.

Não tenha medo! Ouse se encorajar!

Lorena Serpa – Pedagoga Especialista em MBA – Gestão Empresarial – Estudante de Psicopedagogia Clínica