Flávio Migliaccio fez 3 peças confinado antes de morre; ator deixa peças inéditas

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O último personagem de Flávio Migliaccio na televisão foi o Mamede de “Órfãos da terra”.

Na trama das 18h de Thelma Guedes e Duca Rachid, ele era um imigrante árabe que vivia em guerra com o vizinho judeu, Bóris (Osmar Prado). Com seu talento imenso e sua doçura natural, deu uma rasteira em todas as armadilhas da caricatura contidas nessa rixa.

E ganhou o coração do público. Grande ator, soube redimensionar (sempre valorizando) até os papéis menores.

Foto do ator como o Personagem Dr. Josias da Conceição na novela Eita Mundo Bom

Na comédia, será lembrado pelas gerações mais jovens ainda por outro árabe, o Seu Chalita de “Tapas & beijos”. Como o dono de um restaurante de quitutes típicos do Oriente Médio em Copacabana, ele divertiu em ótimas parcerias num elenco todo de talentos (está no ar no GNT).

Para quem cresceu nos anos 1970, entretanto, o ator marcou com outro tipo inesquecível: o Xerife de “Shazan, Xerife e cia”.

Carta que Migliaccio deixou antes de morre em seu sitio em Rio Bonito/ RJ

No programa infantil da Globo, Flávio formava dupla com Paulo José, o Shazan. Os personagens surgiram numa novela de Walther Negrão

“O primeiro amor”. Fizeram tanto sucesso que passaram a estrelar seu próprio seriado. A dupla de mecânicos atrapalhados usava como meio de transporte uma “camicleta”. O híbrido de caminhão com bicicleta era obra do artista plástico Stoessel Cândido.

A produção tinha uma pegada circense, era uma aventura divertida com mensagens educativas. Anos mais tarde, trabalhei com o filho de Flávio, o jornalista Marcelo Migliaccio, aqui no O GLOBO. Muito próximo do pai sempre, ele me contou com orgulho e carinho que, na época, o público infantil costumava cercar o Fusca da família em busca de um autógrafo.

Depois desse personagem, Flávio desempenhou outros papéis importantes em novelas, invariavelmente com brilho. Teve uma carreira longa e prolífica, na televisão, no teatro e no cinema. Aos 85 anos, seguia ativo, criando. Na semana passada, conversou com Gabriel Menezes, repórter da coluna, sobre seus projetos futuros.

Disse que estava aproveitando os dias de isolamento social para trabalhar: “Eu praticamente passo o tempo todo escrevendo. Estou terminando a terceira peça desde o início do confinamento”, contou. Não deu tempo de publicar a foto que recebemos dele, diante do computador, feita pelo filho. Saudade.

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