Wilson Witzel convida líder do PSD na Alerj para assumir a Polícia Civil

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O governador Wilson Witzel convidou o deputado Delegado Carlos Augusto, líder do PSD na Assembleia Legislativa (Alerj), para assumir a Secretaria de Polícia Civil no lugar de Marcus Vinicius Braga, que pediu formalmente exoneração do cargo neste sábado.

No entanto, o parlamentar, que é delegado da Polícia Civil, resiste a aceitar o convite por avaliar que a ida para o governo possa ser interpretada como troca por votos no provável processo de impeachment a que Witzel será submetido na Alerj. O PSD conta com cinco deputados na Assembleia.

— De fato o governador me fez o convite. A princípio, eu recuso. Fico preocupado de aceitar assumir a secretaria e parecer que foi por conta de troca de votos na Alerj. Nunca que eu faria isso. Até porque a minha forma de liderar o PSD na Alerj é deixar, em todas as matérias, cada deputado votar da forma que acha melhor.

Também avalio que o governo está em um momento delicado (alvo operações que investigam desvio de recursos na Saúde). Se eu não aceitar mesmo o convite, fiquei de auxiliar o governador e participar da construção de um novo nome para a Secretaria da Polícia Civil — disse ao site.

O deputado nega, contudo, que tenha se encontrado pessoalmente com o governador no Palácio Laranjeiras, como fontes do governo afrmam à reportagem. E também nega que o convite para assumir a secretaria tenha sido feito para sua mulher, a delegada Gisele de Lima, que já foi subsecretária de Gestão da Polícia Civil na gestão de Witzel.

Gisele teria deixado a pasta após divergências com o então secretário Marcus Vinicus Braga e, em janeiro, foi cedida pelo governo para ficar à disposição da presidência da Alerj, como noticiou a colunista Berenice Seara, do jornal Extra.

— Não estive com o governador. Ele enfrentou um coronavírus recentemente. Eu não iria participar de uma reunião com ele pessoalmente — disse o deputado Carlos Augusto.

A declaração do deputado Carlos Augusto corrobora informações obtidas pela reportagem de que o delegado Flávio Brito, que sucedeu a Braga como secretário da Polícia Civil, ocupa o posto interinamente. Fontes ouvidas pelo site avaliam que Brito seria um profissional “ético” e “técnico”, mas “sem expertise de rua”. Até o momento, ele ainda não se apresentou, no grupo de WhatsApp dos delegados titulares, como novo secretário da corporação.

— O nosso medo é que, por pressão, o novo nome que venha a ser escolhido interfira nas investigações que apuram desvios de recursos dentro do próprio governo. Se isso acontecer, vai gerar uma crise institucional na bicentenária Polícia Civil, que tem conseguido fazer um trabalho independente e isento — diz uma fonte da corporação.

O ex-secretário Marcus Vinicius Braga, que pediu exoneração do cargo no sábado, sabia que a Polícia Civil faria operações que miravam licitações fraudulentas na Secretaria Estadual de Saúde. Sabia, também, que seus investigadores estavam compartilhando informações com a Polícia Federal. Sem ser avisado por Braga, Witzel foi surpreendido com as operações — uma delas, da Polícia Federal, chegou a apreender celulares e documentos do governador.