IgG e IgM: entenda como funcionam os exames de Covid-19

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Há dois tipos principais de testes para o novo coronavírus (Sars-Cov-2).

  • teste molecular – RT-PCR
  • teste rápido – sorológico

O exame molecular, com a técnica RT-PCR (sigla em inglês para transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase), coleta material cotonete inserido pelo nariz. Ele pode ser feito a partir do terceiro dia de sintomas até o décimo. Ele avalia a presença de material genético do vírus, comprovando a doença ainda em sua fase aguda.

Já o teste rápido (exame sorológico) é indicado para pessoas que tiveram sintomas da doença há mais de dez dias. Os testes rápidos para detecção de anticorpos, agora disponíveis também em farmácias e drogarias, levam menos de uma hora para apresentar resultados.

Exemplo do dispositivo usado teste rápido para o coronavírus — Foto: Divulgação/Dayse Euzébio/Secom-JP

Eles avaliam se as amostras são reagentes aos anticorpos IgM e IgG, embora o teste sorológico tenha resultados mais confiáveis pelos especialistas.

“Serve para inquérito sorológico, ou seja, para monitorar a população e identificar a porcentagem de pessoas que já foi exposta ao vírus, e para testes individuais. Mas para diagnóstico e para ver se você se livrou do vírus, o recomendado é o PCR”, disse o virologista José Eduardo Levi, pesquisador do Instituto de Medicina Tropical da USP e Gestor de Pesquisa e Desenvolvimento da Dasa.

E o que apontam os anticorpos IgM e IgG?

Em resumo:

  • IgM reagente ou positivo: paciente está infectado, contaminado recentemente e o corpo ainda luta contra a infecção
  • IgG reagente ou positivo: paciente teve infecção anterior, com pelo menos 3 semanas, e está possivelmente imunizado

Ig é a sigla para imunoglobulina. A imunoglobulina é um tipo de anticorpos produzidas pelo sistema imunológico contra um agente invasor. IgM e IgG, então, são imonuglobinas das classes M e G. A presença deles nos testes atuais indica se houve contato com o vírus e, também, em que estágio do doença a pessoa infectada se encontra. Vale lembrar: os testes devem ser feitos, no mínimo, dez dias depois dos primeiros sintomas.

“Quem reagiu ao IgG é quem, numa fase de reabertura, deveria voltar primeiro a trabalhar, pois em teoria ele aparece na fase final da doença. O IgM marca a fase aguda, é alguém que se contaminou recentemente e ainda está se recuperando. Quem reage para os dois, está ok”, explicou José Eduardo Levi.

Quando um exame apresenta no resultado o termo “não reagente” para os dois anticorpos, portanto, o paciente provavelmente ainda não teve contato com o vírus.

Em breve, uma nova geração de testes não fará mais diferenciação de IgM e IgG, unido tudo a um único resultado de reação aos anticorpos.

“Não saberemos mais se está na fase aguda ou fase final. Embora essa informação seja útil, hoje há uma falha nos testes desta primeira geração, e a identificação do IgM para Covid-19 não tem se mostrado um bom marcador de fase aguda. Aproximadamente 25% não desenvolve o IgM (no teste), e outros 25% desenvolvem IgG antes do IgM”.

Quando fazer o teste rápido e o teste PCR?

Veja abaixo no infográfico: o melhor período para a realização do teste molecular é entre 3 e 7 dias DEPOIS do aparecimento dos sintomas. No caso do teste rápido, a partir do 10° dia.

Vale anotar

  • PCR é a melhor forma de diagnóstico do Covid (entre o terceiro e o décimo dia de sintoma);
  • Após o décimo dia de sintomas leves, pode-se buscar exames rápidos (de farmácia) ou sorologia (laboratórios);
  • Resultado “não reagente” para os dois anticorpos indica não haver infecção;
  • Em teoria, reagente para IgG está em fase final da doença; para IgM está em fase inicial;
  • Teste atuais, porém, ainda são um pouco imprecisos em relação à fase da infecção.
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