MPRJ investiga participação de ex-deputado em esquema de corrupção envolvendo a OS Lagos Rio

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O Ministério Público do Rio (MPRJ) está investigando a ligação entre o esquema de corrupção envolvendo a Organização Social Instituto Lagos Rio e o ex-deputado estadual André Lazaroni (MDB).

A ligação entre os personagens dessa história tem nome: Sildiney Costa. Ele era fornecedor e ex-diretor da OS Lagos Rio, e foi preso numa operação da polícia essa semana.

Segundo os promotores, a OS desviava dinheiro da saúde. A investigação aponta que Sildiney Costa tem uma relação antiga com André Lazaroni, que ocupou por 16 anos uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e já foi secretário de Esporte e Lazer na gestão de Sérgio Cabral.

Foi justamente quando ele era secretário, em 2013, que uma empresa de Sildiney – a Ascagel – foi escolhida para um contrato milionário com o estado, assinado pelo próprio Lazaroni.

O então secretário ainda autorizou dois aditivos, de mais de R$ 4 milhões. O objetivo do contrato era a gestão do complexo esportivo da Rocinha.

O Ministério Público apurou que o Tribunal de Contas do Estado considerou os contratos e o edital irregulares.

A investigação também aponta que Sildiney Gomes participou ativamente da campanha de André Lazaroni, e que ele comemorou com o então deputado o resultado das urnas.

A ligação dele com Lazaroni aumenta em 2014 quando Sildiney abriu a Rio de Janeiro Serviço e Comércio. O objetivo era atuar como fornecedora do Instituto Lagos Rio.

Os promotores identificaram que apoiadores de André Lazaroni descontavam na boca do caixa cheques pagos para essa empresa.

Luiz Leal Monteiro movimentou R$ 100 mil. Em uma publicação nas redes sociais ele pede votos para o ex-deputado.

André Reis Gonçalves sacou outros R$ 46 mil. Ele também se declarou um apoiador de Lazaroni.

Os promotores afirmam que Sildiney Costa operava em favor de Lazaroni. E encontraram ainda um outro indício de ligação entre o ex-deputado e os envolvidos no esquema.

Felipe Andrade de Souza, filho de Juracy Batista, apontado como chefe do esquema, consta como doador de campanha de André Lazaroni em 2014.

O ex-deputado é citado pelo menos 15 vezes na denúncia do Ministério Público.

Vida de luxo

Na sexta-feira (26), o RJ1 mostrou que o Instituto Lagos Rio fraudou documentos para virar uma organização social.

O dinheiro desviado da saúde do estado proporcionava uma vida de luxo e ostentação para a família de Juracy Batista.

Na quinta-feira (25), a operação do Ministério Público prendeu 5 executivos ligados à OS. Eles são acusados de causar um prejuízo de R$ 9 milhões aos cofres do estado.

Segundo as investigações, o instituto comprava materiais superfaturados e desviava dinheiro a partir de contratos assinados com fornecedores.

Os promotores dizem que Juracy Batista e o filho dele, Fábio Souza, que também está preso, usavam um suposto fornecedor da OS para desviar o dinheiro.

Só que a própria família era dona da empresa fornecedora: a F71.

Segundo o MP, o dinheiro serviu para pagar as despesas da nora de Juracy e esposa de Fábio: Ana Beatriz Caselato Gomes de Figueiredo, a Bia Figueiredo.

Ela é piloto de Stock Car no Brasil. A denúncia revela que a corrupção pagou as despesas de Bia nas competições.

Os desvios da saúde ainda bancaram o casamento de luxo deles, há 4 anos.

No Rio, a OS Instituto Lagos Rio faz a gestão dos hospitais estaduais Carlos Chagas e Alberto Torres.

Funcionários dos hospitais reclamam do atraso no pagamento de salários.

O que dizem os citados

O RJ1 tentou contato com o ex-deputado André Lazaroni, mas ele não retornou as ligações.

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio disse que está revisando os contratos com a OS Instituto dos Lagos Rio.

Já o Instituto dos Lagos Rio afirmou que não vai se manifestar.

A piloto Bia Figueiredo disse que não tem detalhes do processo e que ficou sabendo dos fatos pela imprensa. Disse ainda que não se envolve na empresa do marido, nem nos negócios da família dele. E que está grávida e focada na saúde dela e do bebê.

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