Cazuza: o poeta dos “endiabrados”

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A segunda semana de julho foi marcada pelos 30 anos da morte do poeta, músico, escritor, Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza. O “endiabrado” faleceu no dia sete de julho de 1990 em decorrência de uma grave doença.

Menino do Rio, menino do Brasil, Cazuza nasceu, viveu e morreu, na Zona Sul Carioca. Tinha o mesmo do avô, um apelido de moleque, língua presa e ouvido esperto, desde pequeno gostava dos clássicos da Música Popular Brasileira, MPB, de mestres como Lupicínio Rodrigues e Cartola.

Após um desentendimento, que segundo Cazuza se dizia mais velho, boêmio e louco, pois não concordava só com o Rock Roll do grupo e foi buscar outros estilos musicais, contudo houve uma separação do conjunto musical Barão Vermelho, grupo que o cantor iniciou a carreira, o menino de ouvido esperto, anos mais tarde, gravou “ O mundo é um Moinho” do gênio Cartola.

Em 1981, no Rio de Janeiro, com um grupo de amigos, ele cai na irreverência do rock e forma o conjunto Barão Vermelho, foram quatro discos de sucesso. A banda composta por Guto Goffi (bateria), Maurício Barros (teclado), Dé (baixo) e Frejat (guitarra) levava o grito atravessado de Cazuza aos palcos e marcou toda a geração pós-ditadura. Eles estavam prontos para gritar ao mundo, um novo Brasil, um novo dia. A música “Pro dia nascer feliz”, letra do Cazuza, no primeiro Rock in Rio, no Rio de Janeiro, no ano de 1985, representada e cantada, a plenos pulmões, por uma plateia que sonhava, na época, com a liberdade, menos caretice, menos babaquice.

Em seguida, já na carreira solo, lançou o disco “Exagerado”, foi assim, o seu jeito de viver e de compor. Em 1987, lança o disco Ideologia, uma radiografia dos sonhos e ilusões da sua geração – é um dos momentos mais importantes da sua carreira- “eu amadureci”, reconhece o poeta. E pede ao Brasil que mostre a sua cara. Cazuza era um deslumbrado com a vida, não parava de trabalhar e fazia shows pelo país, mas intimista canta a Bossa Nova, um panorama dos íntimos do banquinho, violão e dos sussurros ao pé do ouvido.

Vivo num clip sem nexo
Um pierrô-retrocesso
Meio bossa nova e rock ‘n’ roll
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor

Cazuza não se considerava cantor. “Não me considero um cantor, passo apenas de um letrista que canta”, modéstia exagerada. Ele foi o poeta que cantou e contou a história da sua geração, dizia: que os seus heróis morreram de overdose, que tinha visto a cara da morte e que ela estava bem viva, que ele era o beijo na boca do luxo na boca do lixo. Tanto quero o pão como o vinho, é isso que nos mantêm vivos”, finalizou o poeta.

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