Ex-secretário Edmar Santos sabia das contratações suspeitas, dizem ex-servidores da Saúde

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O ex-secretário de saúde do estado do Rio de Janeiro, Edmar Santos, preso na última sexta-feira (10), tinha conhecimento das contratações emergenciais feitas pela Secretaria Estadual de Saúde, que estão sendo investigadas por suspeita de fraude, segundo ex-servidores da pasta.

A afirmação foi feita por dois ex-servidores da secretaria ao Ministério Público, durante depoimento sobre o caso. Eles ainda disseram que alguns pagamentos teriam sido feitos sem contrato.

Os ex-funcionários disseram que a superintendente da Subsecretaria Executiva da Saúde, Maria Ozana Gomes, funcionária ligada à Edmar, seria a pessoa responsável por conduzir a maioria das contratações emergenciais da saúde no combate à Covid-19.

Em um trecho do depoimento, o ex-servidor disse que Maria Ozana não quis inserir nas contratações um despacho que estabelecia regras para as compras, como, por exemplo, estimativas de preço.

Burlando o sistema

Segundo o depoimento de um dos ex-funcionários da saúde, muitos contratos não existiam e que as inserções no sistema eram feitas depois, com datas fictícias e retroativas.

Eles afirmaram que seria Maria Ozana a pessoa que orientava seus subordinados a seguir esse procedimento irregular.

Pagamentos sem contrato

Em um dos depoimentos prestados ao MP, um ex-servidor disse que os pagamentos às empresas A2A, MHS e ARC Fontoura, que venderam respiradores ao estado, foram feitos sem contrato. Segundo ele, Maria Ozana foi a pessoa que inseriu as informações no sistema depois do pagamento.

Em depoimento aos promotores do MP, um dos ex-servidores afirmou que existia uma orientação informal para que os procedimentos de contratações da pasta não passassem pela Subsecretaria Jurídica da Saúde, órgão responsável por analisar os contratos.

O ex-servidor confirmou que as ordens partiram de Gabriell Neves, ex-subsecretário de Saúde do RJ e preso por suspeita de fraude, Maria Ozana e Edmar Santos.

Segundo o antigo funcionário, os processos na secretaria eram “muito atropelados, sem pesquisa de preço, com termos de referência mal feitos e sem passar pela área técnica”.

Comentários suspeitos

Em outro trecho do depoimento, o ex-servidor disse ainda que ouviu Edmar Santos perguntar a Gabriell Neves sobre contratações ligadas a empresa Log Health.

Segundo ele, Gabriell também teria dito que a contratação tinha que sair rápido a pedido do chefe da pasta, Edmar Santos.

RJ2 mostrou que o estado do RJ contratou a Log Health para fornecer 120 leitos de UTI na rede particular. A empresa foi a única a mandar proposta, dias antes da abertura do processo licitatório.

Outra informação passada aos investigadores foi sobre a troca dos celulares de Edmar Santos e Maria Ozana.

O ex-servidor disse que o aplicativo de troca de mensagens indicou a mudança dos números telefônicos de Edmar no dia 9 de maio, dois dias depois da prisão de Gabriell Neves.

No dia 20 de maio, três dias depois do ex-secretário deixar a pasta da saúde, ele trocou de telefone novamente.

Secretário preso

O ex-secretário de Saúde Edmar Santos foi preso na última sexta em seu endereço residencial, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. A prisão foi um desdobramento da quarta fase da Operação Mercadores do Caos, que investiga a compra de respiradores.

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