Estelionatários adotam novos golpes na pandemia e fazem cada vez mais vítimas no Rio

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A cliente, segundo ele, teria que enviar, dentro de um envelope, um relato por escrito sobre o que havia acontecido, uma autorização para que a Polícia Civil investigasse o incidente e o próprio cartão cortado ao meio.

Tudo isso, a ser entregue a um motoboy, que seria de uma instituição financeira e passaria na porta do prédio para pegá-lo. A idosa acabou ficando desconfiada, avisou a polícia, e o suposto entregador, identificado como José Eduardo Nunes Júnior, de 31 anos, foi preso nesta segunda-feira, a uma certa distância da portaria, de máscara e capacete.

Aquele clássico crime do bilhete premiado, tipo de estelionato que começou a ganhar fama na década 1940, foi reinventado, especialmente neste período de pandemia do novo coronavirus, e está fazendo novas vítimas e preocupando a Polícia Civil.

O relato acima é da delegada titular da 12ª DP (Copacabana), Valéria Aragão, sobre a última tentativa de um tipo de estelionato praticado por uma quadrilha que começou no ano passado a fazer vítimas na cidade, especialmente na Zona Sul e e em bairros da Zona Norte, usando uma modalidade que ela mesma considerou quase perfeita.

— Esse tipo de estelionato está incomodando muito desde antes da pandemia e durante este período foi aumentado por que as vítimas não têm saído de suas casas, e os criminosos precisam obter lucro de alguma forma. O estelionato através de ligações foi o mais praticado em todo o estado.

É algo diário, não só na área da 12ª DP. E toda a Polícia Civil tem muito interesse nisso. A gente sempre orienta a quem conseguir identificar algum motoboy que trabalhe para a quadrilha e a placa da moto que os divulguem. Por que esse estelionato é quase perfeito — disse a delegada.