Grande operação mira lavagem de dinheiro de chefões do CV, como Elias Maluco e Marcinho VP

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A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro realizam uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a mais antiga facção criminosa que atua no Rio. O objetivo é cumprir 25 mandados de busca e apreensão em 10 cidades de cinco estados.

Batizada de Overload II, a ação desta quinta-feira (17), é um desdobramento da primeira fase da Operação Overload, onde 61 traficantes foram condenados pela Justiça.

De acordo com as investigações, muitos agiam de dentro de presídios federais, controlando o tráfico de drogas em comunidades do Rio de Janeiro, de Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana, além da Baixada Fluminense. Em pouco mais de um ano, a organização criminosa movimentou R$ 200 milhões.

Ainda segundo a Polícia Civil, Marcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, é o líder da organização criminosa investigada. Abaixo da hierarquia está o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, que é dono do tráfico de todas as favelas da Baixada Fluminense.

Veja os outros denúncias na ação, além de Elias Maluco e Marcinho VP:

. Eliézer Miranda Joaquim, o Criam: preso no Complexo de Gericinó (Bangu), de onde recebe ordens de Elias Maluco

. Felipe da Silva Guimarães Junior, o Zangado

. Gustavo Vieira de Oliveira

. Danilo Flores da Silva

. Liliane Laurinda Rocha: sócia da Expoarte Fast Money

. Liz Lelis Rocha: sócia da Liliz Brazilian Fast Money

. Carolina Melissa Ribas da Costa: sócia Vest Tur Agência de Viagens

. Maria Aparecida Campos de Oliveira: sócia da Vest Tur Agência de Viagens

. Paulo Morinigo: dono da Paulo Morinigo ME

. Vitor Ivanovitch Costite: dono da Vitor Ivanovitch ME

De dentro da cadeia, Criam compra drogas e armas, dando ordens a comparsas da facção. Ele é responsável pela parte financeira do bando e por repassar parte dos lucros da quadrilha à família de Elias Maluco.

Segundo o MPRJ, Gustavo Vieira e Danilo Flores receberam em suas contas depósito do CV, mesmo sabendo da origem ilegal dos valores.

Liliane Laurinda e Liz Lelis também permitiam a utilização de contas pertencentes às suas empresas para o direcionamento de valores da facção, recebendo depósitos em espécie e fazendo circular e/ou movimentar os recursos ilegais em outras contas bancárias, através de transferências.

Carolina Melissa e Maria Aparecida Campos, permitiram a utilização de contas pertencentes à empresa delas, que fechou em 2015, para circular dinheiro da quadrilha.

O mesmo foi visto pelos empresários Paulo Morinigo e Vitor Ivanovitch, sendo certo que havia circulação de valores oriundos do esquema criminoso entre as contas da Expoarte, Liliz Brazilian, Vest Tur, Paulo Morinigo ME e Vitor Ivanovitch ME.

LAVAGEM

Durante a investigação, os agentes tiveram acesso à prestação de contas do bando em várias comunidades. Apenas na Baixada, o faturamento mensal da facação chega a R$ 7,2 milhões. Cerca de 20% desse valor é repassado aos líderes da quadrilha.

Através dos dados obtidos, descobriu-se que a “lavagem” acontece para dar “legalidade” ao valor obtido com o tráfico de drogas, compra e venda de armas de fogo e munições, roubos de carga, de veículos, a estabelecimentos comerciais, a instituições financeiras, dentre outros crimes.

As investigações apontaram ainda que os criminosos usam contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas para fazer depósitos de grandes valores. Depois, eles retiram o montante dessas contas como se fosse valor “legal”.

As empresas envolvidas no esquema ficam no Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Algumas têm sede, com vários funcionários, e recebiam depósitos de valores diretamente dos traficantes. A diferença da renda declarada oficialmente e o montante depositado era bem grande, chegando a milhões de reais por ano.

“No transcorrer da investigação, foram detectadas inúmeras negociações de vendas de armas e drogas pela organização criminosa, sendo identificadas diversas contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas envolvidas na transação”, conta Curi.

Os agentes conseguiram o bloqueio dessas contas, que terão o valor apreendido.

Os mandados estão sendo cumpridos nas seguintes cidades:

. Rio de Janeiro (RJ)

. Belo Horizonte (MG)

. Campo Grande (MS)

. Ponta Porã (MS)

. Curitiba (PR)

. Araucária (PR)

. Guarapuava (PR)

. Ponta Grossa (PR)

. São José dos Pinhais (PR)

. Mafra (SC)

PRIMEIRA FASE

A primeira fase da Overload, realizada em junho de 2015, levou 61 traficantes que fazem parte da liderança do CV à condenação. Os alvos agem principalmente em comunidades da capital, Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo.

Outros integrante da facção que fazem parte do esquema:

. Elizeu Felício de Souza, o Zeu: condenado por ter matado Tim Lopes

. Edson Silva de Souza, o Orelha: chefe do tráfico no Alemão

. Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D: uma das lideranças do Alemão

. Alcindo Luiz Fernandes, o Da Cabrita: liderança no Complexo do Caramujo, em Niterói

. Luiz Cláudio Machado, o Marreta: age no Complexo do Lins

. Anderson Sant’Anna da Silva, o Gão: atua no Morro Faz Quem Quer (Rocha Miranda)

. Cláudio José de Souza Fontarigo, o Claudinho da Mineira: age no Complexo do Chapadão

. Ricardo Chaves de Castro Lima, o Fu da Mineira: atua no Complexo do Chapadão

A ação de hoje é comandada pelo DGPE e tem o apoio do Departamento de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR), da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) e da 25ª DP (Engenho Novo).