Colunista Lorena Serpa | Comportamento

Compartilhar

Você já parou para se perguntar por que você usa um determinado estilo de roupa? Por que você frequenta determinados lugares e com determinadas pessoas e ainda toma certas atitudes? Ou ainda o motivo de você defender causas A, B ou C?
Poderíamos estender e muito essas perguntas, mas certamente após alongarmos nossa reflexão você será capaz de se perguntar: afinal, o que eu de verdade gosto e tenho como bússola e alicerce em minha?

Você já ouviu falar no holocausto?
Holocausto foi o genocídio de judeus cometido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e resultou na morte de seis milhões de pessoas, aproximadamente.

No meado – Pós 2º Guerra, depois de um quadro de tamanha crueldade e atrocidade que a humanidade chegou e pode chegar, alguns estudiosos indagaram algumas questões:

Será que aqueles indivíduos eram psicopatas, eram pessoas cruéis e frias? Ou eram pessoas como nós, eu e você, mas devido à pressão do grupo, devido a estarem inseridas num grupo que praticava atrocidades, então, esses indivíduos como eu e você, passaram a cometer crueldade que jamais cometeriam se estivessem sozinhos?

Será que esses grupos quando agem de maneira cruel, fazem por conta a uma obediência à uma autoridade, será que a mente humana é tão fraca e frágil a ponto de obedecer a uma autoridade sem pensar, sem refletir, sem medir as consequências e cometer tais atrocidades?
Será que pessoas perfeitamente saudáveis, quando inseridas num determinado grupo, podem ser levadas a cometer atrocidades?

Sabemos que essas perguntas parecem absurdas, mas, não crie uma resistência ou pré-conceito quanto a elas, vamos ir mais fundo e termos um pensamento crítico a respeito.

Soloman Asch um pioneiro da psicologia social, em seus estudos e avaliações práticas, comprovou que o ser humano mesmo frente a uma evidência óbvia, tendem a conformar com a opinião do grupo. Mesmo esse grupo estando absolutamente incorreto em relação a interpretação de mundo que está na sua frente.

Soloman realizou o seguinte teste, naquela época chamado de experimento: um grupo de 7 a 9 estudantes. Todos eles, exceto um, faziam parte do experimento e eram cúmplices do pesquisador. Algumas linhas eram mostradas a todos eles, e o pesquisador pedia que cada um indicasse qual linha era maior. A resposta correta era muito evidente, mas os cúmplices começam um a um a falar a opção que era visivelmente menor como se fosse a opção correta. Esse fato fazia com o que o sujeito que estava sendo avaliado – o único que não era cúmplice – sentisse uma forte pressão do grupo para responder a mesma opção, contra sua lógica de que havia outra linha maior.

Solomon Asch demonstrou que uma boa parte dos sujeitos experimentais acabou trocando sua resposta, escolhendo a resposta da maioria ainda que evidentemente ela estivesse errada. Além disso, Asch se perguntou também se as pessoas que davam essa resposta estavam realmente convencidas de que a resposta era aquela. Ele descobriu que não: o número de pessoas que escolheram a linha errada diminuiu consideravelmente quando havia a opção de dar a resposta de forma privada. Desse modo, a influência se manifestava principalmente pelo fato de os outros verem sua resposta.
Os teste/experimentos de Asch, ainda que criticados naquela época trouxeram uma visão diferente e original de como podemos ser influenciados e condicionados pela opinião da maioria.

Agora vou apresentar um outro exemplo, num contexto e época bem diferente: todos nós conhecemos a narrativa da crucificação de Jesus Cristo na Bíblia Sagrada no livro de Mateus, capítulo vinte e sete, onde Pôncio Pilatos deu “poder” ao povo para decidir se Jesus Cristo ia ser condenado ou não, permitindo que escolhesse entre Jesus e Barrabás.

O ponto que devemos analisar: a Bíblia Sagrada narra que a multidão seguia a Jesus Cristo e reconhecia seus sinais e milagres. Já Barrabás era um desordeiro, homem violento e se tornou um salteador, o qual foi preso e tinha certeza do seu fim: a morte. Mas, diante de um costume da época e Pilatos querendo “tirar a responsabilidade de suas costas” pergunta ao povo quem deveria ser executado.

Notem: o povo sabia que Jesus Cristo era um inocente e Barrabás um criminoso, no entanto, mesmo estando com a verdade em sua frente e manipulado por aqueles que passavam em seus ouvindo dizendo: “diga que Barrabás deve ser solto”, ainda que não concordassem, no final das contas, seguindo a maioria a voz que bradou do povo foi: solte Barrabás e crucifique a Jesus.
O que isso demonstra para nós? Nós somos sujeitos altamente influenciáveis! E temos a tendência de seguir a maioria e isso pode ser muito perigoso!

Isso nos leva as perguntas do início dessa reflexão: você, faz o que faz porque você acredita veemente, ou porque a maioria faz, por que o grupo ao qual você está inserido faz?

Vivemos um momento em que o pensamento crítico e assertivo tem se tornado uma “arma”, pois pensar criticamente e não seguir o “fluxo” faz de você uma ameaça. Imagine se todas as pessoas parassem nesse instante e começasse a se perguntar o porquê fazem certas coisas? E mais, percebessem que elas não precisam disso.

Você já parou para pensar e observar o quanto somos manipulados diariamente com situações para que venhamos a tomar determinadas posturas sem ao menos pensar sobre elas?

Faça hoje as perguntas do início dessa reflexão e todas as mais que forem possíveis e decida ser você! Não se deixe manipular, mas pense, seja assertivo, reflexivo, argumente, estude, investigue e não seja mais um número, mais um algoritmo de redes.

Lorena Serpa
Pedagoga
Especialista em MBA Gestão Empresarial
Estudando de Psicopedagogia Clínica

Comentários