Funcionário do Jornal O Globo é baleado ao entrar de carro por engano após GPS indicar caminho mais curto em comunidade do Rio de Janeiro

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O gerente de projeto do jornal O Globo, Cristiano Coimbra de Mendonça, foi baleado na entrada da Cidade Alta, na Zona Norte do Rio, na manhã desta quarta-feira (21). Ele entrou de carro por engano na comunidade, na Rua Porto Velho, e bandidos acabaram alvejando o veículo.

Cristiano chegou a dirigir até Avenida Brasil e acabou batendo em outro carro. Ele foi socorrido por volta das 7h por policiais militares que faziam patrulhamento na região. A vítima, que foi atingida na lombar, foi encaminhada ao Hospital Estadual Getúlio Vargas.

Cristhiano Coimbra de Mendonça é gerente de produtos e projetos da Editora Globo. Ele foi operado, e seu estado é grave.

Ao perceber o erro, ele tentou sair da Estrada Porto Velho, mas, ao avistarem o Jeep Compass dirigido pela vítima, bandidos armados de fuzis e pistolas dispararam contra o carro. Pelo menos quatro disparos acertaram o automóvel, um no vidro dianteiro, um na lateral direita e dois na mala. Christiano teria sido ferido na região lombar.

Mesmo atingido por um tiro, ele ainda conseguiu dirigir por alguns metros e fez o retorno na Avenida Brasil. Descontrolado, o Jeep parou após colidir com outros dois carros.

Alertados pelos disparos policiais militares do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) foram até o local e ajudaram a socorrer o motorista. Ele foi levado para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, onde foi operado. Ele está em estado grave no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do hospital.

Segundo a polícia, os homens que atacaram a tiros o motorista são integrantes da quadrilha do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. Ele controla o tráfico de drogas na Cidade Alta, na Favela de Parada de Lucas, e em comunidades de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em nome do bandido, há pelo menos oito mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio. O Disque-Denúncia ( 2253 1177) oferece uma recompensa de mil reais por informações que levem à prisão de Peixão.

Outros casos

O Estado do Rio de Janeiro infelizmente registrou outros de casos de pessoas baleadas após entrarem por engano em comunidades. Em dezembro de 2019, um casal de turistas suíços foi atacado por criminosos armados na Cidade Alta. No mesmo ano, em agosto, um homem também foi baleado quando transitava pela Avenida Brasil e um aplicativo sugeriu que entrasse numa rua que dava acesso à favela Cinco Bocas, em Brás de Pina, na Zona Norte. Em fevereiro, uma criança de 11 anos foi baleada após o carro da família entrar por engano em um dos acessos à comunidade do Rato Molhado, no bairro Ampliação, em Itaboraí.

Em 2017, a mídia britânica colocou em xeque a segurança do Brasil para turistas ao repercutir o caso de Eloise Dixon, baleada em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio, após errar o caminho e entrar com a família em uma favela. Já em 2016, o italiano Roberto Bardella, de 52 anos foi morto com um tiro na cabeça por traficantes no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. Ele viajava de moto pela América do Sul na companhia de um primo.

Há cinco anos, um casal de idosos teve o carro metralhado por traficantes ao entrar por engano na comunidade do Caramujo, no Fonseca, em Niterói, na Região Metropolitana. As vítimas saíram do bairro do Leme, na Zona Sul do Rio, para ir a um restaurante em São Francisco, na Zona Sul da cidade vizinha, e utilizaram um aplicativo de localização no celular, que indicou o caminho pela favela.

Em 2013, um engano no trajeto terminou com um engenheiro baleado na cabeça ao entrar na Vila do João, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, Zona Norte do Rio. Gil Augusto Gomes Barbosa, tinha 50 anos. Ele estava a caminho do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) para buscar a sua mulher, quando ela ligou para avisar que já estava indo para casa em um táxi. Gil tentou fazer o retorno mas entrou na favela por engano e acabou atingido.

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