Cabo eleitoral morta em Magé entregou à PF denúncia contra ex-secretária municipal de saúde Carine Tavares

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A cabo eleitoral da família Cozzolino Renata Castro, assassinada nesta sexta-feira (30), esteve no dia anterior na delegacia da Polícia Federal de Niterói para fazer uma denúncia. O RJ2 descobriu que a denúncia feita por Renata envolve Carine Tavares, a ex-secretária municipal de saúde de Magé.

A denúncia diz que Carine continuava com influência na secretaria, mesmo após deixar seu cargo e que estava envolvida com superfaturamento em gastos com a Covid-19.

Em um vídeo postado por Renata nas redes sociais, logo após sair da delegacia, ela diz que a denúncia envolve a prefeitura de Magé, mas que não podia dar detalhes porque era sigilosa. No mesmo vídeo, a cabo eleitoral citou o vereador Clevinho e relatou que sofreu ameaças dele.

A delegacia da PF de Niterói foi a responsável pela operação que, no fim de setembro, prendeu a então secretária municipal de saúde de Magé, Carine Tavares. Uma investigação apontou que ela faz parte de uma quadrilha que desviou mais de R$ 9 milhões dos cofres públicos. Carine Tavares já deixou a cadeia e perdeu o cargo.

A PF afirma que houve direcionamento na contratação de um laboratório e que, depois do início do contrato, o laboratório cobrava por mais exames do que realmente eram feitos.

RJ2 teve acesso ao documento e aos áudios apresentados por Renata Castro à polícia. A denúncia é de que, mesmo sem ocupar mais o cargo de secretária de saúde, Carine continuava dando ordens no centro de tratamento da Covid do município.

Segundo a denúncia, a preocupação de Carine não era com a recuperação os pacientes, mas, sim, com o uso de mais materiais e equipamentos para aumentar os gastos da própria prefeitura com fornecedores.

Um áudio gravado por um funcionário do centro, que compõe a denúncia entregue à polícia, indica que a secretária estaria superfaturando os gastos com a Covid.

“Faturamento tem dado R$ 200 mil. Secretária tá surtando, foi pra lá e obrigou o faturamento subir pra R$ 600, 700 mil. Dá o jeito deles. Tiveram que superfaturar, o faturamento da Covid. Isso aí é uma coisa certa”, disse um homem no áudio.

O mesmo funcionário afirmou que pacientes sem Covid estavam sendo transferidos para unidade – especializada em Covid – apenas para aumentar o consumo de materiais pela prefeitura.

“Outra coisa, é o seguinte: paciente que não tem Covid, paciente negativado, internado lá dentro, entendeu? Pacientes estão negativados e estão sendo internados para faturar, com risco de pegar e morrer lá dentro”, dizia outra parte o áudio.

A Polícia Federal não se pronunciou sobre as investigações porque o caso corre em sigilo. A prefeitura de Magé não quis comentar.