Veja o que pode mudar na relação do Brasil com os EUA com Biden presidente

32

O futuro das relações entre Brasil e Estados Unidos com Joe Biden na Casa Branca depende da capacidade do governo brasileiro de abandonar o apoio personalista a Donald Trump e adotar uma postura pragmática com o novo presidente americano, segundo especialistas ouvidos pelo site sobre o que muda entre Brasília e Washington a partir de agora.

“Vai depender do grau de pragmatismo que o Brasil vai apresentar em relação a Biden. Caso o governo sinalize que o aliado são os EUA, e não Trump, as relações podem se encaminhar bem”, analisa Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Desde o começo da campanha presidencial nos EUA, o presidente Jair Bolsonaro não escondeu a torcida pela reeleição de Trump, quem ele diz considerar um amigo.

O brasileiro também demonstrou publicamente irritação com as declarações de Biden sobre impor “consequências econômicas” ao Brasil caso o país não pare de “derrubar a floresta”. A fala do democrata foi interpretada pelo Planalto e por aliados bolsonaristas como um ataque à soberania.

Para o professor de relações internacionais Juliano Cortinhas, da Universidade de Brasília (UnB), o alinhamento automático do governo brasileiro à pessoa de Trump não foi benéfico e coloca o Brasil sob risco de isolamento.

“Individualizar política externa é um erro imenso, e isso certamente isola o Brasil com a vitória de Biden”, critica.

Na visão de Carlos Gustavo Poggio, doutor em relações internacionais e professor da Faap, divergências entre Bolsonaro e Biden não necessariamente vão se traduzir em uma relação ruim entre Brasília e Washington. Para ele, o governo brasileiro deve caminhar rumo a uma via pragmática.

“É difícil fazer qualquer previsão. A gente pode esperar, porém, que o Brasil faça uma política mais pragmática. Na política interna já vemos essa mudança”, analisa.