Derrotas | Apoio de Bolsonaro não se concretiza em votos nas urnas nestas eleições de 2020 e muitos que tiveram seu apoio foram derrotados

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Nesta eleição, diferentemente do que aconteceu em 2018, o apoio do presidente Jair Bolsonaro não se concretizou em votos nas urnas.

A promessa de não apoiar candidatos, feita em agosto, não vingou. Faltando 15 dias para as eleições, o presidente Jair Bolsonaro disse que precisava ajudar a derrotar a esquerda e entrou na campanha. Chegou a chamar suas transmissões pela internet de “horário eleitoral gratuito do JB”. Partidos de oposição chegaram a questionar no STF e na Justiça Eleitoral o uso do Palácio da Alvorada e a estrutura da presidência para campanha. As ações ainda não foram analisadas.

Bolsonaro pediu votos para 59 candidatos: um ao Senado, na eleição suplementar em Mato Grosso; 45 candidatos a vereador e 13 candidatos a prefeito. Só nas capitais, foram seis candidatos a prefeito: coronel Menezes, do Patriota, em Manaus; capitão Wagner, do Pros, em Fortaleza; delegada Patrícia, do Podemos, no Recife; Bruno Engler, do PRTB, em Belo Horizonte; Marcelo Crivella, do Republicanos, no Rio; e Celso Russomanno, também do Republicanos, em São Paulo.

Mas o apoio de Bolsonaro não alavancou as candidaturas como ele esperava. Em 2018, quando se elegeu presidente, levou consigo vários deputados, senadores e governadores, todos eleitos na onda bolsonarista. Agora, nas eleições municipais, além das questões locais que envolviam cada candidatura, a força do apoio de Bolsonaro teve impacto bem diferente.

O candidato de Bolsonaro, no maior colégio eleitoral, por exemplo, teve uma derrota acachapante. Russomanno ficou em quarto lugar na disputa em São Paulo. Coronel Menezes, Engler e delegada Patrícia também foram derrotados no primeiro turno. O capitão Wagner, em Fortaleza, e Crivella, no Rio, não chegaram a liderar, mas estão no segundo turno.

Dos 13 candidatos a prefeito, apenas dois já estão eleitos no interior. Dos 45 para câmaras municipais, apenas dez foram eleitos.

Nem no Rio, domicílio eleitoral do presidente, os mais chegados dele conseguiram. A ex-assessora parlamentar de Bolsonaro, a Wal do Açaí, se candidatou usando o nome dele, “Wal Bolsonaro”. Só recebeu 266 votos. Não se elegeu vereadora em Angra dos Reis. Outra que perdeu para vereadora no Rio foi Rogéria Bolsonaro, ex-mulher do presidente, mãe de Eduardo, Flávio e Carlos. Teve pouco mais de dois mil votos.

O placar final dos 59 candidatos a prefeito e vereador de Bolsonaro foi: 45 derrotados, 12 eleitos e 2 candidatos a prefeito no segundo turno.

Neste domingo, quando as pesquisas começaram a mostrar desvantagem, o presidente apagou uma postagem, feita sábado (14) nas redes sociais, com 13 candidatos que ele apoiava.

Além dos candidatos que receberam apoio direto, em todo o país, 83 candidaturas tinham “Bolsonaro” no nome de urna. Tirando quatro indeferidos e um que renunciou, 78 concorrem para prefeito, vice ou vereador. Mas só um venceu: o filho do presidente. Carlos Bolsonaro se reelegeu vereador no Rio, mas com menos um terço dos votos que conseguiu em 2016.

O argumento de que a derrota não foi de Bolsonaro, gera uma percepção desencontrada da realidade, segundo o cientista político Creomar de Souza. Porque o presidente sofre algumas derrotas, mas não se responsabiliza por elas, alega que o problema estava nos candidatos.

“O recado dado ontem é que o cenário é mais complexo em termos de oferta e de venda de um Bolsonaro nos mesmos moldes de 2018 do que o próprio núcleo da presidência pensava. O presidente Bolsonaro e seu grupo político passaram muito tempo achando que eram criadores desse processo de ressurgência do conservadorismo político brasileiro, quando na verdade eles são apenas uma parte do fenômeno. Eles são criatura e não criadores desse movimento”, avalia.

O Palácio do Planalto não se manifestou sobre o desempenho dos candidatos apoiados pelo presidente Bolsonaro.