É #FAKE que médica foi entubada no Sul do país após tomar CoronaVac

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Nenhum efeito colateral grave foi detectado entre os voluntários, segundo o Instituto Butantan, que testa a vacina de origem chinesa no Brasil.

Por: Roberta Pennafort, CBN

Circula nas redes sociais um vídeo em que um homem diz que uma médica do sul do país foi entubada em decorrência de uma reação grave à CoronaVac, vacina de origem chinesa testada no Brasil pelo Instituto Butantan. É #FAKE.

O Butantan refuta a afirmação: “É totalmente inverídica a postagem que circula nas redes sociais que fala sobre efeitos colaterais graves e óbitos relacionados à CoronaVac, vacina desenvolvida e testada pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório Sinovac Life Science. A vacina encontra-se na fase III dos estudos clínicos, e não foi registrado nenhum efeito adverso grave e óbito entre os participantes, muito menos óbitos”.

No vídeo, o homem diz: “Estamos com uma colega médica internada no Sul porque foi cobaia dessa vacina. Está entubada. Lembra quando o colega morreu e disseram que era placebo?”, ele diz, referindo-se ao caso de um médico do Rio de Janeiro, João Pedro Feitosa, que era voluntário do processo de testagem de uma vacina para a Covid-19, e que morreu no mês passado.

O que ele não menciona é que a vacina em questão não era a CoronaVac, e sim a desenvolvida pela Universidade de Oxford, e que a causa da morte do médico foi a Covid-19, e não a vacina, tampouco o placebo. Ele trabalhava atendendo pacientes com a doença, e possivelmente se infectou assim. Feitosa teve complicações da doença, apesar de jovem – tinha apenas 28 anos.

O Butantan explica que “as reações mais comuns entre os primeiros 9 mil participantes do estudo após a primeira dose foram dor no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga” e que “febre baixa foi registrada em apenas 0,1% dos participantes”. O instituto ratifica que não há qualquer relato de reação adversa grave à vacina até o momento, muito menos paciente entubado.

Em um outro ponto da gravação, o homem, que já fez outros vídeos com informações falsas sobre vacinas que viralizaram nas redes sociais nas últimas semanas, diz que um componente da CoronaVac, o adjuvante, hidróxido de alumínio, pode causar diversos males.

Adjuvantes são substâncias presentes nas fórmulas para potencializar a resposta imune do organismo, e não fazem mal à saúde. O hidróxido de alumínio, inclusive, é usado há décadas para este fim, sem qualquer problema.

“A miofascite é causada por efeito adverso da vacina, como o câncer, enfisema, fechamento de glote, que pode matar. Um efeito adverso de uma vacina é irreversível, é para o resto da vida. A população brasileira não pode ser enganada”, ele diz. A miofascite macrofágica é uma doença crônica que causa dores no corpo.

O Butantan também rechaça essa parte da fala: “A formulação da vacina, que está sendo testada neste momento em 10 mil voluntários, de um total previsto de 13 mil participantes, utiliza a técnica de inativação do vírus. Ou seja, a formulação do imunizante contém coronavírus mortos num processo de inativação química para que apenas estimulem a proteção imunológica do organismo sem causar a infecção. A vacina é absorvida no adjuvante hidróxido de alumínio, comumente utilizado em vacinas por todo o mundo e sem causar danos à saúde.”

O professor da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo Esper Kallas, que trabalha no ensaio clínico com a CoronaVac, diz que não há nada de novo no uso do hidróxido de alumínio, assim como não existe relação do adjuvante com casos de miofascite. “Nunca vi evidência alguma a este respeito”, afirma o médico.

O infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, reforça a segurança do hidróxido de alumínio: “Como a vacina é feita com vírus inativado, é necessário o adjuvante, que ajuda o organismo na produção de anticorpos. O alumínio é um adjuvante muito estudado e considerado seguro para o uso humano. Não há qualquer evidência científica de que vacinas contendo alumínio causem câncer, miofascite ou qualquer outra doença grave. Porém, pode levar a dor e vermelhidão no local onde a vacina é aplicada ou até febre, mal-estar, fadiga, dor de cabeça e perda de apetite. Ou seja, só manifestações leves. Os riscos da doença a longo prazo, ainda desconhecidos, podem ser piores que os das vacinas.”

O infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, lembra um posicionamento da Organização Mundial de Saúde já em 1999 sobre o assunto. A OMS concluiu à época, diante de um estudo sobre o tema, que não havia por que “recomendar uma mudança nas práticas de vacinação com vacinas contendo alumínio”, por falta de embasamento científico que relacionasse a miofascite ao adjuvante.

“Foi levantada a hipótese de reações tardias num estudo português, que tentou estabelecer uma relação de causa e efeito entre vacinas e a miofascite. A OMS se posicionou, disse que não há evidências. Há só relato de caso extremamente raro, sem confirmação de que houve problema com o adjuvante. O alumínio é usado em bilhões de doses em todo o mundo”, afirma Kfouri.

Fonte: G1.COM

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