Fiocruz alerta prefeitos eleitos para avanço da COVID para o interior

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A FIOCRUZ alertou, ontem, prefeitos eleitos e reeleitos que, nos próximos meses, a busca por assistência e internações hospitalares e em UTIs, pode aumentar nas regiões metropolitanas e no interior por conta da COVID-19.

Os especialistas recomendaram a organização de um conjunto de ações de saúde que envolvam, inclusive a atenção primária, além da realização de campanhas de prevenção para conter o crescimento de casos e de mortes.

A FIOCRUZ destacou também a importância dos municípios capacitarem o pessoal para vacinação e, ao mesmo tempo, alertou que a proximidade ou início da vacinação não permite afrouxamento das medidas de prevenção.
Casos e óbitos

Referente às semanas epidemiológicas 48 e 49 (22 de novembro a 5 de dezembro), a publicação sinaliza para o expressivo aumento no número de casos e de óbitos por Covid-19 neste período. Segundo dados do MonitoraCovid, foram reportados na última semana 286.905 casos e 4.067 óbitos por Covid-19 (média de 580 óbitos por dia). Os pesquisadores ressaltam que esses valores se aproximam dos verificados durante o mês de maio, quando teve início a pior fase da pandemia já vivenciada no país.
Em relação à de incidência e mortalidade por Covid-19, o Boletim aponta que diversos estados apresentaram sinais de alta no número de casos e de óbitos. Este aumento, de acordo com a análise, pode sinalizar para uma tendência de maior disseminação da doença e transmissão comunitária do vírus.

“Após três meses, o país vive o pior quadro no que se refere ao panorama das taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19. Cinco estados estão com mais de 80% dos seus leitos de UTI ocupados, 11 com taxas de ocupação superiores a 60% e inferiores a 80%, e dez estados e o Distrito Federal com menos de 60% dos leitos ocupados”, informam os pesquisadores.

Oito capitais estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos superiores a 80%: Macapá (92,5%), Fortaleza (86,4%), Recife (83,3%), Vitória (84,9%), Rio de Janeiro (92%), Curitiba (92%), Florianópolis (90,4%) e Campo Grande (100%). Além dessas, também aparecem com taxas preocupantes, mas abaixo da zona de alerta crítica, Manaus (76%) e Salvador (77%). Entre 23 de novembro e 7 de dezembro, Belém reduziu o indicador de 78,3% para 55%, e Porto Alegre de 88,7% para 70%.
SRAG

A análise de taxa de incidência de Síndromes Respiratórias Agudas Graves nas semanas epidemiológicas 48 e 49 (22/11/2020 a 05/12/2020) permanece mostrando níveis muito altos em todos os estados. Trata-se de um indicador importante pois são registros de casos graves de doenças respiratórias, incluindo-se casos de Covid-19, que demandam hospitalização ou que foram a óbito.

Dos estados com níveis mais altos, no Mato Grosso do Sul observou-se uma incidência acima de 10 casos por 100 mil habitantes e nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo as taxas de incidência foram bem próximas deste patamar.

A análise nos estados de Tocantins, Piauí, Paraíba, Alagoas, Bahia, Mato Grosso do Sul e Goiás revelam uma tendência de crescimento, observada a partir do número de casos de SRAG notificados nas últimas duas semanas nestes estados.
As capitais Manaus, Palmas, São Luís, Teresina, João Pessoa, Maceió, Salvador, São Paulo, Campo Grande, Goiânia e Cuiabá também apresentam aumento de casos de SRAG em relação aos registros observados em semanas anteriores.