Polícia faz operação em Niterói contra suspeitos de furar fila da vacinação contra a Covid-19

Segundo denúncias do Coren, dois enteados, de 16 e 20 anos, de um diretor da Organização Social haviam tomado a vacina sem ser do grupo prioritário

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NITERÓI – A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCC-LD), cumpre, nesta segunda-feira, mandados de busca e apreensão contra suspeitos de furar a fila da vacina da Covid-19 em Niterói. Segundo denúncias do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren/RJ), dois enteados, de 16 e 20 anos, de um diretor da Organização Social haviam tomado a vacina sem ser do grupo prioritário.

A Secretaria de Estado de Polícia Civil (SEPOL), por meio da Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCC-LD), realiza, nesta segunda-feira (22/02), uma ação em cumprimento de mandados de busca e apreensão na casa de dois diretores da Organização Social (OS) Instituto Sócrates Guanaes e no Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, que é administrado pela OS. Os agentes devem apreender documentos e provas sobre denúncias de “Fura-Fila” de vacina nas salas da Diretoria, Vacinação, Recursos Humanos e Arquivo do Hospital.

As investigações foram deflagradas após denúncias do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren/RJ) relatando que dois filhos, de 16 e 20 anos, de um diretor da Organização Social haviam tomado a vacina sem ser do grupo prioritário. Na última semana, foram realizadas diligências no local e foram encontradas diversas rasuras e vulnerabilidades na lista de vacinados, inclusive o nome do filho do diretor de 16 anos como “acadêmico de medicina”.

Imediatamente, os agentes representaram pela busca e apreensão das listas de vacinados e listagem de estagiários, acadêmicos, internos e residentes da unidade para confrontar com a lista de vacinados. Cabe ressaltar que a Polícia Civil apreenderá os documentos originais e fornecerá cópias de todo material para que não haja prejuízo ao calendário de vacinação.

De acordo com a polícia, caso seja comprovada a fraude, os investigados podem ser enquadrados no crime de infração de medida sanitária, que prevê pena de um ano. Se comprovado o envolvimento de agente públcio, tendo ele desviado a vacina, esse profissional pode ser enquadrado no crime de peculato, que prevê pena bem maior, de até 12 anos. Se for comprovado caso de pagamento de propina no esquema, os envolvidos podem responder por corrupção ativa e passiva, que também preveem penas de até 12 anos.

Por fim, o delegado revelou ainda que há outras investigações em curso em outras unidades de saúde do Rio, também baseadas em denúncias feitas pelo Coren. Todas em início de apuração.