Colunista Lorena Serpa | Máscaras

86

Você já ouviu em determinados momentos de sua vida essas frases?

“Só sabe a quentura da panela a colher que mexe”

“Dê poder há uma pessoa e você descobrirá sua verdadeira personalidade”

“A “política” traz à tona o verdadeiro caráter do ser humano”

…..e tantas outras frases poderíamos trazer aqui. No entanto, analisando essas três frases, nós podemos tecer um paralelo sobre as máscaras usadas em nossas vidas, em nosso dia a dia. Mas por que máscara? A máscara em sua essência é um acessório para cobrir o rosto, “esconder a face”.

O uso da máscara e sua utilidade é algo que vem de tempos longínquos, muito utilizada na civilização grega no séc. V a.C. Mas é no Renascimento que a máscara adquire novas características, primeiro pelas “farsas” apresentadas nos castelos, onde a nobreza as usava como forma de nivelar os convidados presentes, fazendo parte do próprio traje.

Bertolt Brecht afirmava que as máscaras sociais são as atitudes sociais que precisamos assumir nos mais diferentes tempos e espaços da sociedade contemporânea. Utilizando-se da palavra “gestus” para se referir às atitudes sociais nas inter-relações dos personagens. As relações de poder entre os personagens causam o “gestus” brechtiano, ou melhor, a máscara social do personagem. Esta máscara social não precisa ser efetivamente um objeto para colocar no rosto, mas uma canção, uma palavra, uma atitude, ou um acessório cênico. A palavra “gestus” vem da gestalt.

Isso nos leva as frases que iniciamos essa leitura, só passamos a conhecer de fato uma pessoa, quando passamos a conviver com ela e ainda assim, para que ela de fato se revele, demanda tempo.

Quantas pessoas você conhece que ao longo dos anos mudaram totalmente sua forma de ser? A pergunta é: aquela pessoa mudou, ou ela sempre foi assim e só agora, tirou a máscara que todos conheciam? Normalmente a resposta para essa pergunta está enraizada em tirar a máscara. Lembram-se que falamos que um dos objetivos da máscara é “esconder a face”, ou seja, cobrir sua verdadeira face.

Quantos casais que vivem uma vida dupla ou até tripla. Junto aos amigos demonstram ser “unha e carne”, compreensivos, amorosos, amigos, aqueles que tiram a roupa do corpo para dar ao outro, mas dentro de casa? Agressivos, arrogantes, preguiçosos e presunçosos, aqueles que colocam a autoestima do companheiro(a) lá em baixo para poder “dominar”, ou seja, revelam sua verdadeira face.

Quantas pessoas no meio político que certamente possuem um armário inteiro de máscaras, conforme o lugar, a máscara de conveniência e interesses é trocada por uma mais oportuna. Líderes de qualquer esfera…..

Há a máscara da falsa alegria, da falsa segurança, da falsa resistência, aquela pessoa que “segura” tudo, é uma verdadeira muralha, mas…….ao tirar essa máscara, desaba em dor, sofrimento e solidão.

Recentemente li um artigo com o seguinte título com as linhas iniciais assim:

Carta de uma mulher que me pediu um favor impossível: “Por favor, escute… o que não estou a dizer: não deixe que o engane”

“…Atrás dela há confusão, medo e solidão, mas isso escondo. Eu não quero que ninguém saiba que estou em pânico, que a minha fraqueza e o meu medo fiquem expostos.

É por isso que criei uma máscara para me esconder. Uma fachada indiferente e sofisticada que me ajuda a fingir, serve de escudo perante um olho sábio. Mais precisamente, esse olhar é a minha salvação, a minha única esperança, eu sei isso.

Sempre e quando venha acompanhado de aceitação e amor. É a única coisa que me pode libertar de mim mesma, da prisão que apenas eu criei. É a única coisa que pode revelar-me o que eu mesma não consegui revelar, que sou alguém que importa. Mas isso não lhe digo. Não me atrevo. Tenho medo de que o seu olhar não seja acompanhado de aceitação e amor.”

Existe algo junto a uma máscara que esconde a face que não pode ser escondido: o olhar e as ações e reações. Muito aprendemos e muitas coisas descobrimos com um olhar atendo e mui observador. Existem palavras não faladas, ou se faladas, com sentido totalmente invertido para aquilo que verdadeiramente se passa do lado de dentro. A verdade que cada um de nós carrega consigo sua máscara, quais os tipos eu não sei, mas carregamos, porém, a melhor coisa nessa vida é poder ser quem somos, sem medo e sem nenhum tipo de prisão, mas…..não é fácil, porque sempre haverá alguém querendo nos aprisionar novamente, querendo roubas nossa essência, nossa alegria.

Feliz o ser humano que pode caminhar sem usar nenhuma máscara, com seu rosto estampado por quem ele verdadeiramente é!

E você? Quais máscaras anda a carregar?

Lorena Serpa

Pedagoga

Especialista em MBA Gestão Empresarial

Estudante de Psicopedagogia Clínica e Social

CEO da Palô Expandindo Potencialidades