A farra em Bangu | Presos ostentam no Rio música alta, bebida e charuto acendido com nota de R$ 50 dentro do BANGU 9

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Detentos da penitenciária Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio, gravaram um vídeo ostentando dentro da cadeia. Nas imagens mostra, um deles acende um charuto com uma nota de R$ 50 em chamas.

No início da gravação, o criminoso aparece com um charuto na boca e a nota na mão. Outro preso então acende um isqueiro e queima a nota, que é usada no tabaco. Ao fundo, é possível ouvir funk tocando dentro da unidade prisional.

A dupla está de camisa branca, bermuda escura e chinelos brancos, itens que compõe o uniforme das cadeias no Rio. Bangu 9 é o presídio onde ficam integrantes dos grupos de milicianos que atuam no estado.

Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) não confirmnou a identidade dos presos, mas informou que instaurou um processo para apurar o caso. De acordo com a Seap, “os internos envolvidos foram transferidos de unidade e passaram a cumprir regime disciplinar diferenciado”.

Em relação a destruir cédulas de Real, falta consenso sobre considerar o ato como um crime. No Código Penal, não existe tipificação específica sobre danificar dinheiro. Por outro lado, há quem considere a ação como uma infração, já que as notas são patrimônio da União. Neste caso, defende-se que a situação poderia ser enquadrada em dano qualificado.

Regalias na cadeia

As denúncias de presos ostentando atrás das grades no Rio de Janeiro são recorrentes. Em setembro de 2010, o cabo Carlos Ari Ribeiro, o Carlão, acusado de ser o maior matador da milícia, na época, deu uma festa de aniversário regada a uísque, energético e refrigerantes no Batalhão Especial Prisional da PM (BEP), onde atualmente fica a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. Após este episódio, a unidade passou a ser conhecida como o “Batalhão das Festinhas”.

Em 2019, durante uma operação na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, conhecida como Bangu 3, no Complexo de Gericinó, alianças de ouro, cravejadas de pedras preciosas, e relógios de grife foram encontrados pelos agentes penitenciários. Na época, o preço de um dos anéis, produzidos sob encomenda para os criminosos, foi estimado em R$ 100 mil. Com o valor, era possível custear os gastos de um preso por quase dois anos.

Já em março de 2020, áudios obtidos pela “GloboNews” mostravam detentos do Presídio Tiago Teles, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, se comunicando facilmente com pessoas de fora da cadeia e celebrando as regalias que tinham no local. Em um dos arquivos, o preso Maurício Rodrigues de Carvalho relatava estar havendo um pagode dentro da unidade. “Ó o som, o pagode! Fica com Deus aí, um abraço!”, disse o interno, que acrescentou: “Aqui tem tudo, tudo, tudo. Parece até o Mercadão de Madureira”.

Também no ano passado, o jornal “O Dia” revelou um vídeo de criminosos fazendo uma festa em uma das celas da mesma cadeia em São Gonçalo. Nas imagens, presidiários se divertiam com bebidas e música alta. Na época, a Seap determinou que os três presos que apareciam nas imagens fossem transferidos para a penitenciária Bangu 1.