COLUNA | Bolsonaro e Lula: A Jornada do Herói está completa. Entenda

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No dia 8 de março, o Ministro do STF, Luiz Edson Fachin, anulou todas as condenações impostas ao ex-presidente Lula na Operação Lava Jato em Curitiba. Ele alegou incompetência da Justiça Federal do Paraná (leia-se Sergio Moro). A Lava Jato marcou o cenário político do país e dissolveu o todo poderoso PT, o Partido dos Trabalhadores.

Os fatores que conduziram à decadência do partido político serão contados para as próximas gerações nos livros de história do Brasil.  A análise poderá ser feita de diversas maneiras, dentre elas reflexão que proponho nesta coluna.

Com essa decisão do Ministro Fachin, o Lula está a um passo de completar a tão famosa “Jornada do Herói”, narrativa muito importante para o ponto de vista da comunicação política e na construção da reputação.  Mas antes de entramos na análise da narrativa, vamos entender o que é a Jornada do Herói.

Contar histórias é um dos ofícios mais antigos do mundo. E a Jornada do Herói é a estrutura de storytelling* mais utilizada para estes relatos, sejam de mitos, lendas, romances e obras narrativas em geral, criada em 1949 pelo antropólogo Joseph Campbell. O conceito apresenta uma forma cíclica de contar histórias, em que o protagonista supera vários desafios para se tornar uma pessoa especial, digna de admiração. A pessoa parte de um mundo comum para viver aventuras em outros universos e passar por grandes provações. São 12 etapas. Vamos entender como o Lula conduziu a jornada.

Lula era um operário, uma pessoa comum, do povo, que poderia ser eu ou você. Até que o “chamado para aventura” acontece. É o chamado para a vida política, onde percorreu etapas para construção de reputação até chegar à Presidência da República. Na estrada que o levou ao maior cargo político eletivo do país, Lula passou por incontáveis provas, desafios, teve vários aliados e inimigos, erros e acertos. A provação ficou por conta da condenação e da prisão, que atraíram os olhares não só dos brasileiros, mas de toda a imprensa internacional. Na Jornada do Herói, esse é o momento mais difícil de toda história, pois é onde o personagem passa não só por diversas dificuldades, mas também por uma transformação psicológica. É um divisor, onde ele muda completamente o pensamento, pode se assemelhar à morte e ressurreição. Após essa etapa, vem a recompensa: Lula é posto em liberdade. Na fase chamada “caminho de volta”, o ex-presidente estaria retornando para casa, onde pode viver tranquilamente.  

A narrativa segue para a penúltima etapa, chamada de ressurreição, o clímax de toda a jornada. O maior inimigo ressurge das profundezas para uma batalha épica. Seria ninguém mais, ninguém menos do que o atual Presidente da República, Jair Bolsonaro.  Com isso, o personagem precisa mostrar que é digno dessa ressurreição, do livramento que o Ministro Fachin deu a ele. Para isso Lula se coloca, mesmo que ainda de forma velada, como candidato na próxima disputa presidencial para derrotar o inimigo. Em 2022 saberemos se o herói retornará triunfante e com o devido reconhecimento de sua terra natal. 

Nos filmes, o herói geralmente consegue completar a missão. Será que Lula também conseguirá? Essa resposta ainda não sabemos e nem é o intuito dessa coluna, nossa ideia aqui é apenas nos atermos aos fatos do ponto de vista de cases de comunicação, a opinião fica por conta do leitor e eleitor. Meu nome é Clóvis Barbosa, sou estrategista de comunicação digital e espero ter você como meu leitor também nas próximas colunas.

*Storytelling: é a arte básica de contar uma história, de comunicar sua ideia, mensagem ou evento, através de palavras, imagens e sons criativos. O que o storytelling faz é gerar vida ou significado para um cenário, provocando sentimentos de êxtase, tristeza, paz e, dessa forma, cativar a audiência ao narrar a história.