Colunista Lorena Serpa | Mudanças– Parte 1

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Quantas vezes você já sentiu a necessidade ou aquele sentimento do qual você deveria mudar? Mudar as atitudes, a forma de pensar, sua visão de mundo e por aí vai….

É bem certo que a grande maioria irá dizer que já pensou ou já sentiu essa necessidade. No entanto, 95% das pessoas não conseguem realizar essa mudança e aí a gente se pergunta do porquê?

Quantas pessoas você conhece que prometeram mudar por diversos motivos até mesmo dentro de relações desconexas, violentas, tóxicas, inflamadas e etc, mas nunca conseguiram seguir 2% do que prometeram?

A primeira coisa que quero começar pensando com você é a respeito do conhecimento que temos sobre nós.

Você sabe quem é você? Ou você se “conhece” a partir daquilo que as pessoas ao longo de sua vida disseram que você é? Essa pergunta diz respeito ao Auto Conhecimento, um dos vilões para que aconteça a mudança em nossa vida.

Nós não fomos ensinados a nos auto conhecermos e isso está enraizado desde o início da civilização. Não entendemos nossos sentimentos, emoções e reações e o porquê de fazermos certas coisas.

Pense comigo: “qualquer pessoa que passe por um problema seja da área que for, o primeiro passo para a mudança é o reconhecimento de sua necessidade e esse reconhecimento passa pelo Auto Conhecimento.”

Observe esse exemplo:

  1. Uma criança faz pirraça e chora “freneticamente” dentro do supermercado. A atitude de seus pais é brigar com a criança e ameaça-la caso ela não cesse o choro. Com medo, a criança imediatamente se cala.
  2. Uma criança faz pirraça e chora “freneticamente” dentro do supermercado. A atitude de seus pais é entregar para ela doces, brinquedos, qualquer coisa que a faça parar de chorar.
  3. Uma criança faz pirraça e chora “freneticamente” dentro do supermercado. A atitude de seus pais é de se abaixar no mesmo nível da criança, olhar em seus olhos e perguntar o motivo do choro, de sua dor e assim iniciar um diálogo onde ensine que esse sentimento se chama frustação e ao longo da vida ele estará presente em diversos momentos.

Qual desses 3 exemplos de pais mais representar nossa sociedade? Vamos pensar sobre eles!

O primeiro, representa a pessoa que esconde seus sentimentos, emoções, desejos por medo de ser envergonhado, de se machucar, porque sua dor para o outro é motivo de represaria. Essa criança, crescerá guardando para si mesma todas as suas frustrações e não saberá externalizar isso;

O segundo, representa a facilidade em se conseguir o que se quer a partir de um melodrama. Essa criança crescerá manipulando tudo ao seu redor, onde basta um pequeno “número teatral” que facilmente ela conseguirá o que deseja.

O terceiro, representa o entendimento dos sentimentos, a identificação e os primeiros ensinamentos sobre o autoconhecimento. Esses pais não apenas criaram um diálogo com a criança, mas estavam a ensinando a entender suas emoções e reações.

Eu tenho plena certeza que cada leitor irá se identificar em uma dessas cenas de supermercado e essa identificação irá dizer muito a respeito de nós.

Agora observe essas outras situações, onde muitas pessoas associam o fato delas terem vivenciado determinadas situações, acharem que entendem sobre determinados assuntos. Mas isso não é autoconhecimento!

Pense: “o médico diz que você pode ter um ataque no miocárdio, aí a pessoa diz assim: e você já teve um ataque no miocárdio para saber como é?”

“Mas você tem filho para saber como é? Não é porque você é pai ou mãe que você entende de psicologia da educação e do desenvolvimento.”

“Não é porque você come todo dia que entende de nutrição.”

 “Não é porque você se relaciona que você entende de relacionamentos.”

Perceba o quanto nosso conhecimento a cerca daquilo que dizemos conhecer é totalmente superficial e escuso!

O conhecimento (a essência) nos permite identificar e buscar aquilo que faz a nossa vida florescer verdadeiramente, como um belo jardim que é cuidado com carinho e com dedicação.

O Auto Conhecimento das pessoas de um modo geral é uma colcha de retalhos de anedotas (piadas, breve história) e informações desestruturadas e muitas vezes contraditórias. Um conjunto de informações muito frágil.

Flávio Passos usa uma alegoria para descrever essa colcha: “essa colcha de retalhos que as pessoas chamam de “conhecimento”, é na verdade uma “CASA DE PALHA” de informações soltas e desconexas, contraditórias e as vezes simplesmente erradas. É como a casa de palha de 1 dos 3 porquinhos narrada no conto, bastando um sopro de racionalidade e aquilo tudo se desmonta.”

Até aqui podemos ter uma certeza: nós não conhecemos a nós mesmos e o primeiro passo para a mudança é o auto conhecimento, ou seja, reconhecer quem você é em detalhes, observações, evidências, fatos e realidades, para a construção de um caminho de mudanças e transformações.

Na próxima semana falaremos sobre o segundo grande vilão para a mudança, não perca!

Deixo aqui uma tarefa para você fazer durante essa semana: “quem é você em detalhes?”

Lorena Serpa

Pedagoga

Especialista em MBA Gestão Empresarial

Estudante de Psicopedagogia Clínica

CEO da Palô Expandindo Potencialidades