COVID reduz produção de petróleo e deve derrubar royalties dos municípios

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A economia dos municípios da região, já debilitada por um ano de pandemia, pode entrar em colapso em dois meses, com a redução da produção de petróleo na Bacia de Campos provocada pela propagação da COVID-19 em diversas plataformas, que terá impacto no repasse dos royalties de maio. O RLagos apurou que as Plataformas P-56 e P-40, no Campo de Marlim Sul, esta semana, deixaram de produzir 64 mil barris de petróleo, o que representa perdas da ordem de R$ 23 milhões.

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense denuncia que a doença tem se espalhado rapidamente pela Bacia de Campos e a contaminação, além da P-56 e P-40, já atingiu as Plataformas P-37, P-363, P-51 e até na P-38, que apesar de só estocar petróleo, paralisou as atividades impactando diretamente na produção geral. O Sindicato acusa a Petrobras de demorar a adotar medidas de segurança para garantir a saúde dos trabalhadores e quer que a justiça da Trabalho obrigue a estatal a reduzir a produção ao mínimo necessário.

O operador de rádio Alcyr Lorena, que atuava na plataforma P-53, na Bacia de Campos morreu na sexta-feira, vítima da COVID-19. Natural de Niterói, Alcyr morava em Nova Friburgo e tinha passagem por diversas empresas do setor de telecomunicações e, de acordo com o sindicato, é mais uma vítima da negligência da empresa no cumprimento de medidas de prevenção.

O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense está denunciando a situação a Procuradoria Regional do Trabalho. O RLagos teve acesso, com exclusividade, ao teor da denúncia. Segundo o relatório, na P-43 teriam sido desembarcadas vinte pessoas. Os demais trabalhadores, entretanto, permaneceram na unidade, sem qualquer tipo de isolamento ou distanciamento. Dias após a confirmação dos primeiros casos, profissionais da saúde chegaram para realizar a testagem no restante da equipe. A testagem confirmou mais dois casos da doença. A programação de trabalho na plataforma, entretanto, seguiu normalmente, apesar dos inúmeros indícios de que o vírus mantinha a sua disseminação entre a equipe.

e acordo com denúncia, a Plataforma P-63 está com seis suspeitos de contaminação pela doença. A P-25 teria desembarcado sete suspeitos entre os dias 12 e 13. A P-35 desembarcou quatro pessoas, com a confirmação de uma contaminada. O sindicato também denuncia que trabalhadores a bordo tem apresentado sintomas uma semana após o embarque o que comprova a ineficiência dos testes rápidos antes do embarque, além disso, denuncia que a troca de turma ocorreu normalmente, mesmo com as plataformas tendo já casos confirmados e dezenas de suspeitos.

O sindicato, entre as medidas necessária a redução da contaminação nas plataformas, pede a Justiça do Trabalho que obrigue a Petrobras a reduzir, ao mínimo necessário para o abastecimento nacional, a produção nas unidades, até que os números da pandemia sejam reduzidos a níveis que não ameacem efetivo colapso do sistema de saúde, como ocorre atualmente.