SEPE ignora acusação de racismo e volta a chamar Flávio de ‘capitão do mato’

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A direção do SEPE Lagos ignorou as acusações de racismo contra o secretário de Educação, Flávio Guimaães, chamado numa publicação do sindicato, que causou mal estar até entre filiados, de “capitão do mato” e voltou a usar o termo ao afirmar que a atitude do secretário de trair a categoria e seus ex-colegas de trabalho da forma como ele está fazendo não poderia ser qualificada de outra maneira.

O SEPE adotou como do sindicato uma nota escrita pela professora Martha Pessoa, no blog pessoal sobre o assunto e que, segundo a o sindicato esclarece bem os motivos que levaram o Sepe a denunciar os descontos contra grevistas da forma como o fez.

O Sepe apresenta a professora Martha Pessoa como negra, mãe de alunos da rede pública de ensino e que está em luta por condições de segurança sanitária, EPIs, e adaptações da infraestrutura das escolas.“Ora senhor Flávio, não queira status de Zumbi dos Palmares quando tua postura é de capitão do mato, e dos mais perversos”, declara a professora na publicação.

Ela lembra que na história do Brasil, capitães do mato, homens pretos, açoitavam outros homens, mulheres e crianças pretas em nome dos senhores de terra.

“O país, que se quer dá mostra de liberdade aos povos trabalhadores, e menos ainda aos povos pretos e as mulheres, vem sofrendo nas mãos de grupos que legitimam a perversidade contra os seus iguais, seja pela classe a que pertencem (trabalhadora), seja pela raça e/ou gênero. Não bastasse a legitimação das perversidades, como vem ocorrendo na Secretaria Municipal de Educação da cidade de Cabo Frio, onde o secretário de educação, professor, homem negro, vem açoitando seus companheiros de trabalho, no mesmo requinte de perversidade que nossos ancestrais, capitães do mato”, escreveu.

Martha Pessoa lembra que no último contra cheque esses trabalhadores tiveram mais de 94% de perda de seus salários por exercerem um direito constitucional à greve, sobretudo nesse momento de incertezas sobre a saúde e a vida, massacre esse pelas mãos de um homem negro, professor e agora, secretário de educação.

“Não contente com a perversidade desferida aos que um dia já foram seus companheiros de trabalho, e que logo, logo voltarão a ser, e a história não permitirá que essa lembrança se apague, partidários do senhor secretário, homem negro, professor, vem dando uso político para uma pauta tão importante como a do racismo para atribuir tal comportamento a um sindicato e uma categoria que cobra e de forma extremamente acertada, tal perversidade de um homem negro, professor, e portanto capitão do mato, como bem a história nos mostrou ao longo de toda escravidão”, encerrou

O caso repercutiu na sessão da Câmara desta terça-feira. O vereador Vanderson Beto saiu em defesa do secretário e chamou os diretores do Sepe de “preconceituosos”, “pelegos” e “facistas”.

— Respeitem as famílias. Se vocês não respeitam as famílias das pessoas vocês respeitam o quê? – Questionou o vereador que propôs que a Câmara se posicione com uma Moção de Repúdio ao Sindicato.

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