Hospital de Arraial do Cabo é investigado por cinco mortes que ficaram a espera de vagas em UTI

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A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro está investigando pelo menos cinco mortes de pacientes que não teriam conseguido vagas de UTI na Região dos Lagos do Rio neste fim de semana. As cinco mortes foram registradas em Arraial do Cabo entre sábado (27) e domingo (28).

Segundo a defensoria, até esta terça-feira (30), mais de oitenta pessoas em cidades da baixada litorânea aguardam por um leito de UTI. São 85 pacientes aguardando leitos de UTI Covid e 31 para leitos de enfermaria.

A baixada litorânea compreende as cidades de Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Búzios, Arraial do Cabo, Casimiro de Abreu e Rio das Ostras.

A Defensoria disse ainda que, desde o início do ano, já tentou contato cinco vezes com a prefeitura de Arraial do Cabo pra conseguir informações sobre insumos e leitos, mas desde janeiro não teve retorno.

“Em alguns municípios a gente tem poucas informações. Por exemplo, eu tenho tido muita dificuldade de conseguir informações do hospital de Arraial do Cabo. Tenho recebido inúmeras denúncias por lá de dificuldade de trabalho, de morte de paciente por falta de oxigênio. A gente já oficiou mais de uma vez a direção do hospital e a secretaria de saúde e não teve resposta”, disse a defensora pública Raphaela Jahara.

Na última sexta-feira (26), a prefeitura tinha uma reunião marcada com a Defensoria, mas pediu para remarcar por conta da pausa emergencial.

A prefeitura disse que nove dos dez respiradores estão em funcionamento e que não houve desabastecimento de oxigênio na cidade. O município informou que dois pacientes faleceram por complicações da doença, e não por falta de atendimento adequado ou falta de equipamentos.

A prefeitura informou ainda que o município não conta com leitos de UTI, apenas de enfermaria e UPG, porém, já indicou ao Estado a intenção de receber 6 leitos de UTI. Atualmente, os casos que demandam atendimento de Terapia Intensiva são encaminhados à Central Estadual de Regulação, objetivando a transferência do paciente para uma unidade que possua essa estrutura. Portanto, a liberação depende de leitos disponíveis.