Capitão Diogo deixa a PM depois de 13 anos, durante um vídeo o mesmo critica o abandono da corporação

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CABO FRIO – O capitão Diogo Souza de Silveira, de 33 anos, se desligou da Polícia Militar. O pedido de demissão, depois de 13 anos de serviço, de acordo com ele, foi a decisão mais difícil que tomou na vida. O policial, entretanto, sai atirando ao criticar, em vídeo divulgado nas redes sociais, o aparelhamento da instituição por políticos. O policial disse que a tropa está abandonada e  os oficiais subalternos  atribulados e as promoções estão atravancadas por coronéis que nunca vão embora.

— Eu entrei na polícia para prender vagabundo e não para ficar subordinado a meia dúzia deles, declarou o policial que diz ter se transformado no maior inimigo da PM depois que ingressou na política e disputou as eleições municipais em novembro do ano passado.

Capitão Diogo frisa que a polícia sempre foi a maior paixão dele e vai continuar sendo mas, lembrou, que a dedicação e a seriedade com  que vestiu a farda o obrigaram a abdicar de muitos momentos da  vida ao lado da família e a ter que viver sob uma série de restrições, entra elas, não poder, por exemplo,  estar em determinados locais ou postar  fotos da família nas redes sociais por questões de segurança.

O capitão lembra que já sofreu um atentado orquestrado pelo tráfico de drogas de Cabo Frio em setembro de 2019. Uma moto emparelhou com o carro que dirigia e um dos ocupantes atirou, pelo menos, quatro vezes contra o veículo. Os criminosos não foram identificados pelo policial, pois estavam de casaco e capacete.

TRAUMA

O Capitão Diogo revela que vai levar para toda a vida o trauma da morte do sargento Ricardo Oliveira dos Santos, morto ano passado em serviço após ser atingido por um tiro no peito durante um confronto em Figueira, em Arraial do Cabo e do  Sargento Luiz Paulo, o Negão do Bope, por, de acordo com ele, não ter conseguido dar uma resposta a altura.

— Eu perdi um grande irmão. Numa mesma semana carreguei nos meus braços o sargento Ricardo Oliveira e três dias depois nós perdemos o Sargento Luiz Paulo, recorda o capitão que considera que o atentado covarde do tráfico, orquestrado pela mesma quadrilha que planejou o ataque contra ele. Foi uma agressão não só ao Estado do Rio mas ao Estado democrático de direito.

A GOTA D´GUA

Diogo Souza contou que a gota d´água  que o levou a assinar o requerimento de demissão  foi  domingo de Páscoa. O capitão disse que promoveu uma distribuição de ovos de Páscoa  em nome da Polícia Militar e a ação acabou não sendo aceita.

— Entendo que é  preciso mudar dentro das comunidades o referencial das crianças e dos jovens para que o trafico não seja a referência e promova essa assistência, explica o policial, que acabou questionado pelo uso de viaturas e por estar portando um fuzil. Diogo explica que o fuzil está acautelado com ele há cinco anos  e fruto, de acordo com o policial, de apreensão  devido a inúmeras ameaças sofridas e comprovadas em escutas e operações da coordenaria de inteligência da própria PM.

O policial ressaltou que não está na polícia por salário e  garantiu que não deixa a corporação para se dedicar a política. “Não vou tocar um ambiente de vaidade e inveja por outro”, diz mas garante que  sai com  a sensação de dever cumprido.

— Nós somos os indesejáveis, comandados pelo incompetentes fazendo o indispensável pelos ingratos. Eu sangrei, suei, chorei, matei, muitas vezes morri, sem mesmo sem ter sido atingido, concluiu Diogo.

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