Médicos defendem que grávidas correm perigo maior de Covid e deveriam ter prioridade no tratamento; conheça histórias

259

RIO – Gestantes personificam a celebração da vida. Mas na pandemia de Covid-19, a gravidez também é fator de risco de doença e morte. Médicos alertam que mulheres grávidas correm um perigo maior e deveriam ter prioridade no acesso a tratamento, incluindo internação em UTI, e a testes de diagnóstico.

Gravidez não é doença, mas aumenta a possibilidade de agravamento da Covid-19 a exemplo de comorbidades bem estabelecidas, como hipertensão e diabetes. É o que explica a infectologista Clarisse Pimentel, diretora do Instituto Estadual de Infectologia São Sebastião (IEISS), unidade de referência no atendimento de UTI para gestantes com a doença e que atua em parceria com os serviços de obstetrícia e de UTI neonatal do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE).

Se na primeira onda da pandemia, as gestantes não chegaram a causar especial preocupação, agora o quadro é outro. Médicos têm observado um número maior delas nas UTIs, à medida que aumentou também o de jovens — os casos entre eles, segundo a Fiocruz, cresceram mais de 500%, de janeiro a março.

— Os idosos quase já não estão mais internando. Não sabemos se já é resultado do efeito benéfico da vacina, pode ser que seja. Mas o fato é que agora os jovens, muitos sem comorbidades, predominam nas UTIs, e as gestantes estão entre eles — diz Ana Luiza Oliveira, infectologista do IEISS .

Um estudo da Universidade de Washington, publicado em fevereiro na revista American Journal of Obstetrics and Gynecology, estima que a Covid-19 é 70% mais frequente em gestantes do que em mulheres da mesma faixa etária.

Já uma pesquisa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) com 400 mil mulheres com coronavírus, 23.434 das quais grávidas, chegou à conclusão de que a gestação é fator de alto risco de agravamento da Covid-19. A chance de uma gestante ser internada em UTI foi 62% maior que a de mulheres da mesma faixa etária. A de intubação foi 88% maior.

— Os dados no Brasil ainda são imprecisos, mas vemos um número maior de gestantes em estado crítico. Por isso, consideramos que elas devem ser priorizadas e que as grávidas precisam ser alertadas sobre a necessidade de cuidados redobrados — afirma Pimentel.

Comentários