BOMBA | Sem sedativos, pacientes do Hospital Pedro Ernesto estão sendo intubados acordados

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Profissionais da área de saúde voltaram a denunciar da falta de sedativos nos hospitais do Rio de Janeiro para atendimento de pacientes graves de Covid-19. Há relatos de funcionários do Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, na Zona Norte da cidade.

Já no Hospital Geral de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, além da falta do chamado kit intubação, os funcionários reclamam também de superlotação, mesmo após a inauguração do Hospital Modular. Segundo eles, há em média 50 pacientes internados em uma sala que antes era uma recepção.

Confira abaixo alguns relatos:

“A gente já está sem sedação até segunda ordem. Não tem sedação no hospital. A gente faz os sedativos pra poder manter o paciente em coma induzido, não tem. Se acabar não tem com que trocar”.

“Cada dia que passa piora mais um bocado. E a gente que tá ali, a gente fica sem saber o que fazer, porque a gente tenta de tudo pra poder manter a vida do paciente, mas sem o essencial a gente não consegue manter a vida”.

“Tem dia que falta Midazolan, Fentanil, na unidade. Midazolan é um sedativo importante para que o paciente não fique agitado. Fentanil, um tipo de anestésico pra diminuir a dor do paciente. Medicamentos essenciais para manter o bem-estar de um paciente”.

Nos hospitais particulares, como no Semiu, de Vila da Penha, também há denúncias de estoques baixos de sedativos.

“Semiu de Vicente de Carvalho não tá tendo kit intubação. Tá faltando algumas medicações. Tamos fazendo a sedação com Fentanil, sendo que uma diluição maior do que padronizado. Mas mesmo assim eles ficam agitados. A gente tem que fazer contenção mecânica, prender os pacientes nos leitos”.

“Eles sofrem porque ficam acordados. E nós, como profissionais, ficamos muito tristes de estar prestando esse tipo de atendimento”.

Segundo o diretor da Associação de Hospitais do Rio de Janeiro (AHERJ), as unidades se aproximam de uma “situação de crise”.

“Os medicamentos que são mais preocupantes são os bloqueadores neuromusculares e os anestésicos indutores de coma. Nós estamos chegando a uma situação de crise e precisamos de uma mobilização de toda a sociedade, da Secretaria Estadual de Saúde, das secretarias municipais e do governo federal para a resolução desse problema”, diz o médico Graccho Alvim.

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