Muitos vão morrer! Não tem jeito! ‘Diz médico que relata a falta de medicamentos para intubação de pacientes de covid-19’

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O estado do Rio de Janeiro passa por um momento crítico diante da pandemia da covid-19. A falta de sedativos e bloqueadores neuromusculares para manutenção dos pacientes em ventilação mecânica nas unidades de saúde, o chamado kit intubação, preocupa os médicos intensivistas.

Segundo especialistas, caso o paciente não receba a quantidade exata de sedativo para manter a intubação, o quadro clínico pode agravar e até levar à morte.”Está tudo em falta, não tem um medicamento em estoque, em todas as unidades, inclusive particulares.

Para intubação, a gente consegue intubar o paciente com pouca medicação, mas praticamente todos os casos graves precisam totalmente de sedação e para deixar o paciente totalmente sedado precisa de mais medicação. Se o paciente fica mal sedado, isso piora o quadro do paciente, porque ele fica acordado e ‘brigando’ com o ventilador. Ele não oxigena o sangue da forma correta”, explicou o médico generalista e diretor do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Pedro Archer.

“Os pacientes de covid-19 são de sedação difícil e usam doses maiores que as habituais. Temos várias opções para sedação, claro que tem opções melhores e piores, mas sempre há um Plano B. Mas temos hospitais realmente passando muita dificuldade nesse ponto. Muitos já usaram Plano C e realmente estão improvisando de forma muito inadequada e deixando o paciente em risco, até serem reabastecidos”, disse.

De acordo com Eiras, apesar da falta de medicamentos para a intubação, os pacientes não podem ser extubados pois dependem do respirador para sobreviverem.”(Os hospitais) Estão usando sedação não adequada e os pacientes ficam contidos no leito muito desconfortáveis. É uma situação desastrosa.

Felizmente na rede que atuo racionalizamos o uso e estamos conseguindo resolver muito bem, mas a rede pública está sofrendo com isso. O governo já deveria estar importando esses insumos, porque na primeira onda já houve falta. Têm hospitais privados já importando”.