Onze estados estão em alerta para falta de remédios para intubar pacientes

Seis empresas fizeram doações ao governo federal e um avião deve chegar nesta quinta (15) a Guarulhos, vindo da China, com 2,3 milhões de medicamentos. O Ministério da Saúde diz que estes remédios serão distribuídos aos estados imediatamente.

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BRASIL – Um levantamento com as secretarias estaduais de Saúde mostra que 11 estados estão em alerta para falta de remédios para intubação de pacientes.

A requisição administrativa dos medicamentos usados para a intubação começou a valer em março. Numa reunião com os laboratórios, ficou acertado que a indústria venderia ao Ministério da Saúde a produção excedente de medicamentos do kit intubação.

Segundo a requisição, os contratos já assinados com estados e municípios continuariam valendo e o ministério ficaria apenas com o restante.

“Para as requisições das medicações, os contratos vigentes, todos foram mantidos. Então, todos os contatos que foram feitos com os laboratórios, não foi tirada nenhuma medicação de contrato vigente pelo laboratório”, declarou o secretário de Atenção Especializada em Saúde, Sérgio Okane.

Só que, com a demanda em alta, a indústria diz que não havia estoque excedente. Os laboratórios passaram, então, a trabalhar para atender as demandas do ministério.

Em 23 de março, um dos fabricantes, o laboratório Cristália, divulgou uma nota em que afirma que entregaria ao ministério todos os medicamentos solicitados e utilizados para a intubação.

O presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) diz que a entrega de medicamentos ao ministério foi o que provocou problemas na distribuição.

“Requisições, de forma geral, sempre atrapalham a logística da indústria. No caso específico do Ministério da Saúde, nós tivemos reuniões, as empresas tiveram reuniões com os representantes do Ministério da Saúde e procuraram adequar a possibilidade dos produtos a serem entregues para o governo. Mas isso, de uma forma geral, é como você despir um santo para vestir outro”, comentou Nelson Mussolini.

Além de São Paulo, pelo menos dez estados admitem a falta de medicamentos ou estoques em níveis muito baixos – para, no máximo, 15 dias.

Em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, um hospital filantrópico parou de internar pacientes na UTI, pela falta dos medicamentos. Segundo a Federação das Santas Casas de São Paulo, 160 hospitais só têm estoques do kit intubação para 3 dias. Diante da escassez, os médicos estão apelando para outros remédios, na tentativa de sedar os pacientes.

O médico, que trabalha num hospital público da cidade de São Paulo e não quer se identificar, faz um desabafo: “o paciente às vezes acordava no meio do procedimento, não conseguia depois que a gente intubava se ligar muito bem ao ventilador mecânico, isso daí tudo vai comprometendo ainda mais a função do pulmão que já é bastante debilitada.”

Seis empresas fizeram doações ao governo federal e um avião deve chegar esta noite a Guarulhos, vindo da China, com 2,3 milhões de medicamentos. O Ministério da Saúde diz que estes remédios serão distribuídos aos estados imediatamente, mas não soube dizer para quantos dias essa remessa será suficiente.

O Ministério da Saúde afirma que a requisição dos medicamentos foi um acordo que envolveu o governo federal, estados e municípios, que está planejando compras internacionais, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde e, também, negociando diretamente com os laboratórios. O ministério declara, ainda, que os estados também podem e devem providenciar suas próprias compras diretamente no mercado internacional.

“Os estados também têm que procurar esses medicamentos, sobretudo os grandes estados. Existem estados que têm economia maior que países, que têm condições de buscar esses insumos. Não é só empurrar isso para as costas do Ministério da Saúde. Vamos deixar isso bem claro”, declarou Marcelo Queiroga, ministro da Saúde.

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