SENHOR DAS ARMAS | Barbieri, um dos maiores traficantes de armas do mundo é preso após operação da policia civil no Rio de Janeiro

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A Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol) do Rio de Janeiro, por meio da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), prendeu, nesta quarta-feira (21/04), João Filipe Barbieri, um dos maiores traficantes de armas do mundo. O criminoso estava preso, mas conseguiu fugir da cadeia por meio de um de alvará falso, em novembro de 2020. Ele foi localizado em Piratininga, município de Niterói.

João Filipe Barbieri era um dos principais integrantes da quadrilha, responsável por enviar milhares de fuzis para o Brasil. Segundo as investigações, as armas eram escondidas em aquecedores de piscina. Ele foi preso, em 2017, e estava em um presídio em Bangu. Em um esquema criminoso, o bandido conseguiu fugir da cadeia com um alvará falso.

A Polícia Civil iniciou as investigações e diligências para capturar Barbieri. Por meio de troca de informações com a Secretária de Estado de Administração Penitenciária (Seap), os agentes monitoraram o criminoso e descobriram seu esconderijo.

– A prisão foi muito importante e foi uma resposta rápida da Polícia Civil, uma vez que não poderíamos deixar esse criminoso em liberdade para, consequentemente, voltar a abastecer comunidades do Rio de Janeiro com armas de fogo – destacou o diretor do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), delegado Felipe Curi.

De acordo com o titular da DC-Polinter,delegado Mauro César, o bandido esteve em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo antes de voltar ao Rio para tentar receber uma quantia em dinheiro.

– Com o desmantelamento do esquema, o criminoso acabou ficando sem dinheiro e voltou para cobrar uma dívida de uma negociação antiga. As equipes monitoraram e esperaram o melhor momento para prendê-lo, sem nenhum efeito colateral – pontuou Mauro César.

Já o secretário de Estado de Administração Penitenciária, Raphael Montenegro, destacou a integração e a troca de informações de inteligência entre a Polícia Civil e a Seap, que culminaram na prisão de Barbieri e de outros bandidos envolvidos no esquema de emissão dos falsos alvarás e na desarticulação da quadrilha.

Na noite de terça-feira, a Seap recapturou João Victor Roza, comparsa de Barbieri. Ele também havia deixado a cadeia com um alvará falso. Roza foi preso por agentes da Superintendência de Inteligência do Sistema Penitenciário (Sispen) em uma casa em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

Esquema de alvará falsos

Em março, duas advogadas e um agente da Seap foram presos durante uma operação que mirou suspeitos de falsificar alvarás de soltura. De acordo com as investigações, em março, duas advogadas e um agente da Seap foram presos durante uma operação que mirou suspeitos de falsificar alvarás de soltura. De acordo com as investigações, o grupo falsificou alvarás de soltura de pelo menos três criminosos que cumpriam pena no sistema penitenciário estadual. Foram presas as advogadas Débora Albernaz de Souza e Angélica Coutinho Rodrigues Malaquias Campos e o agente da Seap Fábio Luis da Silva Polidoro, que dias depois conseguiu liberdade. Alem deles foram detidos Arlesio Luiz Pereira Santos e Josefa Antônio da Silva.

Arlesio, segundo as investigações, se passava pelo oficial de Justiça que encaminhava os alvarás falsos à Seap. Ele, ainda de acordo com o que foi levantado pela polícia, seria integrante de uma facção criminosa que atua na Bahia, em Goiás e no Distrito Federal cometendo estelionatos. Os investigadores apuram se Arlesio, que também se apresentaria como advogado, usava um registro falso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para entrar em presídios.

Barbieri cobrou dívidas de João Victor quando ambos já estavam fora da cadeia

Segundo os investigadores, já fora da cadeia e precisando de dinheiro, Barbieri entrou em contato com João Victor Roza para que ele cobrasse de outros traficantes valores de débitos em aberto. O dinheiro seria de dívidas de armas que o traficante havia vendido para a maior facção criminosa do Rio.

— Ele estava tentando reorganizar o tráfico de armas e por isso, voltou ao Rio para cobrar esses débitos — diz o titular da Polinter.

Investigadores da Polícia Civil chegaram a viajar para o Espírito Santo e para o interior de São Paulo em busca do criminoso. Que não foi encontrado.

No entanto, há menos de uma semana os policiais descobriram que ele estava na casa da mãe, Nilce de Fátima Pedernance Cordeiro, em Niterói, onde foi preso hoje.

— Durante algum tempo, que ele saiu e a denúncia do estouro do alvarás não havia vindo a público, ele ficou em Niterói, na casa da mãe. No entanto, a partir de fevereiro ele passou a fugir. Mas, há quatro ou cinco dias ele voltou para Niterói — diz Mauro César.

Os policiais apreenderam o celular do criminoso. O aparelho passará por uma perícia. O objetivo é descobrir se outras pessoas participavam do esquema dos alvarás falsos.

MPF e PF ouvirão os dois foragidos recapturados

O Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) ouvirão João Felipe Barbieri e João Victor Roza, que estavam foragidos desde o ano passado. Em fevereiro deste ano, o MPF instaurou investigação para apurar a soltura de presos com o uso de alvará de soltura falso.

“A recaptura desses dois presos federais revela-se de extrema importância. Além de contribuir em muito para o prestígio e efetividade das execuções penais (federais e estaduais) no Estado do Rio de Janeiro, abre novas possibilidades para as investigações federais (MPF e PF) acerca do tráfico de armas e consequente abastecimento bélico do crime organizado.

Neste caso específico, o MPF/RJ, pelos canais competentes da PGR, solicitou cooperação internacional das autoridades americanas a fim que o aeroporto de Miami e o aeroporto do Galeão não sirvam mais de corredor aéreo aos traficantes de armas e munições. O que, além de aumentar o poder de fogo das facções criminosas em desfavor das forças policiais não deixa de colocar em risco a segurança aérea”, destacou, em nota, o procurador da República Eduardo Benones.