Transporte Públicos do Rio causa aglomerações e não respeita distanciamento dos passageiros

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“Vamos todos colados, amassados, faço a viagem inteira sem ter onde colocar o braço”. A descrição da rotina nos trens da Supervia feita pela passageira Kelly Thayná Moreira é da última quarta-feira, um ano e pouco mais de um mês depois da pandemia ter tornado o distanciamento uma regra social. Mas poderia ser de qualquer outro período das últimas décadas. E de qualquer outro meio de transporte coletivo. Na prática, a realidade dos cariocas que dependem da mobilidade pública passa longe de das medidas sanitárias.

O vidraceiro Rilton Lima Nunes encara um trem de Japeri até a Central, e um metrô até a estação Uruguai, na Tijuca. A avaliação é de que os vagões estão tão cheios quanto antes da pandemia. “Pego o Japeri lotado todos os dias, e não mudou absolutamente nada. Só deu uma aliviada na semana que antecipou os feriados (entre o fim de março e o início de abril). E isso é tanto na vinda, quanto na volta”, afirmou Rilton. “Para se cuidar, só se a gente tomasse banho de álcool em gel de dois em dois minuto. A gente tenta manter os cuidados, mas é difícil”.

O construtor Anderson Passos também viaja no mesmo ramal e precisa usar a conhecida tática: ele pega um trem de Engenheiro Pedreira até a estação final, em Japeri, para ter a oportunidade de viajar sentado, no sentido oposto, até a Central. “Trabalho de segunda-feira a sábado na Zona Sul, faço o trajeto diariamente e vejo que continua lotado, igual os dias normais. A solução, na minha opinião, seria eles suspenderem a redução da frota, que foi feita no fim do ano passado”, avaliou o usuário.

A empresa informou ainda que “monitora a taxa média de ocupação dos trens, que tem se mantido abaixo dos percentuais estabelecidos pelas autoridades. No ramal Japeri, por exemplo, a taxa de ocupação média registrada nos horários de pico na última semana foi de 37,4% (manhã) e de 46,6% (tarde). A medição é feita diariamente, baseada em critérios técnicos, definidos e fiscalizados pela Agetransp. Vale reforçar que o transporte de alta capacidade em todo o mundo, como é o trem, é projetado para transportar 20% dos passageiros sentados e os demais em pé”.