Brasil bate mais um triste recorde e ultrapassa 400 mil mortos por Covid-19

Após mais de um ano de pandemia, país ainda enfrenta dificuldades no combate ao coronavírus, com lentidão na vacinação, fura-filas, falta de doses e politização da pandemia

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Brasil bateu mais um triste recorde nesta quinta-feira (29): o país ultrapassou a marca de 400 mil mortos por Covid-19, chegando a 400.021 mortes e 14.541.806 casos confirmados, de acordo com dados do consórcio de imprensa. A marca foi atingida apenas 36 dias depois do país alcançar 300 mil mortos

Após mais de um ano de pandemia, o país ainda enfrenta dificuldades no combate ao coronavírus, com lentidão na vacinação, denúncias de fura-filas, falta de doses em diversas cidades e politização da pandemia. Mais recentemente, o Senado abriu uma Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) para investigar a responsabilidade do Governo Federal na omissão do combate ao coronavírus.

Além do cenário político conturbado, as perspectivas dos rumos da pandemia no país não são das melhores. Segundo especialistas em saúde, o Brasil viverá uma terceira onda, com possível pico de casos em junho, por conta do Dia das Mães, data em que deve ocorrer encontros familiares, além da flexibilização do isolamento social em diversos estados.

“Com a baixa adesão as medidas de proteção individual, como não se aglomerar, usar máscaras e lavar as mãos, e levando em consideração o contexto que a gente ainda está muito acanhado no que diz respeito a vacina, a terceira onda é uma questão de tempo”, prevê a médica e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia-Rio, Tânia Vergara.

A infectologista também frisa a pouca eficácia dos feriadões prolongados adotados por alguns estados, como no caso do Rio de Janeiro. “Inicialmente, o feriadão prolongado com certeza ajudou porque diminuiu a circulação de pessoas. Mas, se quando acaba o feriado as pessoas acham que acabou a pandemia, não resolve nada”, opina.

Outro ponto destacado por pesquisadores é de que o País continua cometendo os mesmos erros e pouco aprendeu até aqui, afirma a pesquisadora do Centro de Estudos em Gestão de Serviços de Saúde do COPPEAD/UFRJ, Chrystina Barros.

“O que a gente vê é que a Economia e a Saúde ‘não andaram de mãos dadas’ para trazer medidas que de fatos as pessoas precisam. A gente errou em não coordenar essas pastas e continuamos errando, pois esses órgãos deveriam está trabalhando para a preservação de vidas”, pontua.Chrystina também salienta que devido ao tempo da pandemia as questões sociais também se agravaram, o que torna a situação do Brasil ainda mais delicada.

“(As áreas da) Economia, Saúde e Educação não se falam. Nós estamos há um ano lutando contra a Covid e em nenhum momento os pesquisadores disseram que o lockdown deveria vir sem garantir a subsistência das pessoas”, diz.