Colunista Lorena Serpa | Mudança – Parte 3

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Hoje encerramos nossa série de reflexões sobre os grandes inimigos para o acontecimento da mudança em nossas vidas. Na primeira parte falamos sobre o Autoconhecimento, uma vez que não fomos criados para entender quem somos e nossa forma de sentir e entender o que se passa dentro de nós;

Na segunda parte falamos sobre a Arrogância, uma vez que por nos acharmos “especialistas” sem diploma algum, apenas por termos ouvido falar, lido ou vivenciado alguma situação, nos fechamos para o aprendizado, fazendo com que a mudança não ocorra.

E para encerrar, falaremos hoje sobre o terceiro grande inimigo, que impede nossas vidas de recomeçar, que é: A Ignorância – A Desinformação e o Anti-conhecimento.

Ao contrário do que muitos acham, ignorância tem sua definição quanto a ausência de conhecimento seja por âmbito cultural ou falta de estudo. Já a desinformação tem por sua definição a ação ou o efeito de desinformar, ou seja, não informar da forma devida levando informações falsas com propósito de confundir e induzir ao erro.

E o Anti-conhecimento? Para falar sobre ele, quero trazer um breve relato do psicanalista Jacques Lacan onde é apresentada três paixões fundamentais no homem, que são o amor, o ódio e a ignorância. Mas o que dizer da ignorância? Consideremos o seguinte: atrás do nosso desconhecimento há sempre uma organização de afirmações, e se o sujeito não começa a se colocar na posição de saber o que é e o que não é, estaciona-se na posição daquele que ignora. E nesse equilíbrio tênue entre as três paixões fundamentais – que nos falou Lacan –, o amor pode se tornar ódio e o ódio é indissociável da ignorância. E daí? Em que a psicanálise pode contribuir? Ora, em muitos pontos: a começar de uma questão que se exterioriza no divã e se manifesta na polis (ou cidade).

É que cada vez mais tem sido cansativo conversar com pessoas que deixam o argumento de lado para, no lugar, desfilar subjetividades (juízos morais). E é desgastante porque há pessoas que não sabem ouvir; não discutem o assunto, e o diálogo vira o que ela acha que é (ou deve ser) e ponto. Partem logo para as conclusões sem uma criteriologia mínima de objetividade.

Em linhas gerais, cada vez mais esses tipos de disfunções se tornam comum na contemporaneidade, pois em tempos de internet, universo digital de massificação de subjetividades, que influencia o nosso processamento cognitivo, novas formas de produção do discurso e formas de sentido podem ser detectadas.

Vivemos numa sociedade imersa na cultura digital e como sempre disse Lenio Streck, “os grupos de WhatsApp são o ninho preferido para o desenvolvimento de todo e qualquer tipo de ataques a teorias”. O ponto a ser destacado – ainda seguindo Lenio – é que “tanta gente estudou, pesquisou, ganhou prêmio Nobel… para que qualquer pessoa, em uma rede social, diga: ah, isso não é bem assim”.

O anti-conhecimento é a mesma coisa que pôr milhares de pessoas num navio furado, em alto mar, e assistir o vagaroso naufrágio ao vivo pelas webcams. O assustador é que, apesar disso, muitos tripulantes vão imaginar estar num navio de cruzeiro em temporada de férias. Se a saída rápida desse lugar não acontece, as pessoas são tragadas por suas intersubjetividades pressupostas, algo capaz de aumentar a distância entre o afogado à ponta de uma corda.

Dessa forma, podemos afirmar que para a mudança acontecer, é necessário que sejam abertas as portas para o conhecimento, que se “desnude” de si, reconhecimento todo excesso de mentiras e informações que foram depositadas na mente, no coração e na alma e prossiga, persista em ações que proporcionem diariamente mudanças significativas, consistentes e verdadeiras.

O que você precisa começar hoje para iniciar o processo de mudança em sua vida?

Lorena Serpa

Pedagoga

Especialista em MBA Gestão Empresarial

Estudante de Psicopedagogia Clínica

CEO da Palô Expandindo Potencialidades