Ex-presidente da Alerj Jorge Picciani é sepultado em Sulacap após velório no Palácio Tiradentes

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O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) Jorge Picciani foi sepultado no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste, às 12h10 deste sábado. Mais cedo, familiares, amigos e correligionários participaram do velório do ex-deputado estadual no Palácio Tiradentes. O corpo de Picciani chegou à Alerj às 7h30 e foi retirado por volta das 10h45 rumo ao cemitério. Participam do velório o governador Cláudio Castro, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o atual presidente da Alerj, André Ceciliano (PT). Picciani morreu de câncer aos 66 anos e cumpria prisão domiciliar desde 2018.

Breve, o enterro aconteceu após um discurso emocionado de um dos filhos de Picciani, o ex-deputado Rafael Picciani, que estava acompanhado de parentes. O seputalmento também contou com a presença do prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), um dos melhores amigos do ex-parlamentar, de acordo com sua família.

No velório, que lotou a sede da Alerj, o governador Cláudio Castro prestou solidariedade à família:

— Além de ter sido um expoente da política, foi presidente da Alerj por cinco legislaturas. Conhecia ele e os deputados Leonardo e Rafael há muito tempo. Deixa um legado importante na relação institucional entre os poderes. Hoje, o sentimento é de solidariedade com a família, bem como de respeito com a Assembleia — disse ao EXTRA.

Após permanecer no velório por pouco mais de 20 minutos, o prefeito Eduardo Paes saiu sem falar com a imprensa. À assessoria de comunicação da Alerj, Paes lamentou a morte de Picciani:

— Ele foi um marco na política do Rio de Janeiro, uma pessoa que soube construir pontes o tempo todo. Construir relações que têm uma história. Pessoalmente, tenho muita gratidão por ele. Sempre foi muito correto comigo, ajudou muito nos meu mandatos de prefeito. É uma perda que a gente lamenta e o legado fica aí.

O deputado André Ceciliano também não falou com os jornalistas. O político deu uma declaração sobre Picciani apenas à sua assessoria de comunicação.

— Quero desejar aos familiares força e que Deus possa abençoá-los nesse momento de dor. Jorge Picciani deixou uma marca muito forte aqui na Assembleia Legislativa, Casa que ele presidiu por cinco dos seus seis mandatos. Foi ele que iniciou a TV Alerj, dando mais transparência aos trabalhos. Em 2005, acabou com o voto secreto em casos de cassação de mandato, antecipando em muitos anos a decisão que o Congresso Nacional só tomaria em 2013. Deixa uma lacuna na política fluminense — completou Ceciliano.

O filho Leonardo Picciani, suplente de deputado federal, foi o primeiro a chegar no velório. Logo em seguida, muito emocionado, outro filho, o ex-deputado estadual Rafael Picciani, chegou e cumprimentou a todos, relembrando as histórias do pai com cada um. Ao lado de funcionários da Alerj, ele falou que toda a família está comovida com as demonstrações de afeto.

— Meu pai estava afastado da política, recluso nos último anos, e mesmo assim estamos recebendo tanta demonstração de carinho. Estamos muito honrados. Eu, meus irmãos, minha mãe e minha madrasta não temos nem palavra para agradecer. Ninguém espera passar por isso. Ele era uma pessoa jovem e forte em diversos aspectos, mas quis Deus que fosse assim. Foram cinco meses de hospital, lutando contra essa doença que não dá trégua. Tenho orgulho do político que foi, mas tenho muito mais orgulho do pai que ele foi, não só para mim, mas para muitos amigos — disse Rafael.

O velório provoca aglomeração no saguão da Alerj, embora todos os presentes estejam de máscara. Também há álcool gel e medição de temperatura na entrada.

A Alerj decretou luto de três dias em homenagem a Picciani. Uma bandeira do Botafogo, time para o qual o ex-deputado torcia, foi deitada sobre o caixão.

Antes da retirada do caixão, Rafael Picciani discursou e foi aplaudido pelo plenário. Ele agradeceu o apoio recebido pelos profissionais de saúde e lembrou das famílias que perderam parentes para a Covid-19.

— O homem público pode ser julgado como bom ou ruim. Mas estou aqui para falar do pai e do homem bom que vocês conheceram. Os que viam ele firme na política podiam não saber do outro lado, o da gentileza e da preocupação com o próximo — disse Rafael.

Ele também destacou o papel da viúva do pai, Hortência. Ela escreveu uma mensagem, que pediu que fosse lida, ressaltando que Picciani foi um marido companheiro e pai zeloso.

“Não consegui fazer um discurso no nosso casamento, mas hoje, em um dos dias mais difíceis da minha vida, escrevo essa homenagem. Um homem com garra, trabalhador, político, empresário, esse era o Picciani. Mas tinha um coração grande e sem mágoa que só os mais próximos conheciam, esse era o Jorge”, disse.

Na sequência, uma pastora fez oração e, às 10h45, o caixão saiu para o cemitério.

Picciani morreu na madrugada desta sexta-feira, por volta das 2h. Ele estava internado em São Paulo, onde se tratava de um câncer na bexiga. Nas últimas semanas Picciani foi intubado e já não estava mais consciente. O atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano, pôs o Palácio Tiradentes à disposição da família para o velório.

Liderança do antigo PMDB, Picciani presidiu a Alerj por cinco legislaturas. Filho de um casal de confeiteiros, criou-se em Mariópolis, bairro de classe média baixa do Rio, e formou-se em ciências contábeis e estatística. Para além da política, Picciani teve, a partir da década de 1980, uma próspera atividade no ramo da pecuária. Ele foi preso na operação Cadeia Velha, em 2017, que investigava pagamentos de propina a parlamentares da Alerj em troca de assinaturas de contratos, e passou a cumprir prisão domiciliar em 2018, devido ao agravamento de seu quadro de saúde.

Picciani deixou a mulher, Hortência, e cinco filhos.