Policia Civil prende Renata Cristiana, Marcelo Jorge e Daywison por formação de quadrilha, associação criminosa e tentativa de estelionato após operação no Rio, contra empresa do Grupo Fênix.

Um deles já tinha 119 passagens pela polícia

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RIO – Policiais civis da 4ª DP (Praça da República) realizaram, nesta segunda-feira (24), a Operação Casa de Papel, para desarticular um esquema de fraude imobiliária que fez mais de 180 vítimas no Rio de Janeiro, com prejuízos que somaram mais de R$ 3,6 milhões. Esses números podem ser ainda maiores. De acordo com as investigações, o grupo criminoso já havia aplicado golpes no Distrito Federal, São Paulo e Maranhão.

A suposta financeira, que se apresenta como cooperativa habitacional, foi estourada pelos agentes, que conduziram mais de dez pessoas para a delegacia. Dois homens e uma mulher foram presos em flagrante: Marcelo Jorge Pereira da Silva, de 54 anos, Daywison John da Silva Merceis, de 30, e Renata Cristina Moura Reis, de 23. Os policiais apreenderam computadores, aparelhos de celular e documentos.

Marcelo, que debochou das vítimas que acompanhavam a operação na porta da delegacia, já tinha 119 passagens pela polícia, desde 2011, e já tinha sido preso outras duas vezes, em 2014 e 2019. O criminoso possui passagens por associação criminosa, estelionato, lesão corporal, ameaças, Maria da Penha, porte de arma, entre outros. Os crimes foram cometidos por Marcelo nas áreas do Centro do Rio, Leblon, Zona Norte, Baixada Fluminense, Niterói e Itaboraí.

Segundo a polícia, uma das funções de Marcelo na quadrilha é treinar os funcionários do escritório fraudulento para aplicar os golpes. No papel, ele consta como palestrante, mas, na prática, é um verdadeiro professor de estelionato.

As investigações, que começaram a partir de denúncias de vítimas, revelaram que o grupo criminoso simula um financiamento para compra da casa própria, com entradas a partir de R$ 10 mil. As vítimas começam a pagar e, quando pedem para ver a casa, os estelionatários apresentam, de forma dissimulada, um imóvel como se estivesse disponível. No entanto, na verdade, as residências apresentadas não estão à venda ou, se estão, não através da cooperativa. Em geral, o grupo pega imagens na Internet em sites de venda de imóveis e as usam para enganar os clientes.

Ainda de acordo com a polícia, quando a pessoa descobre que caiu em um golpe e tenta reaver o dinheiro, o grupo criminoso começa a cobrar multas por “quebra de contrato” e taxas que não existem para justificar a não devolução da quantia paga.
Nesta segunda-feira, quando os investigadores estouraram o escritório, que fica na Rua Sete de Setembro, no Centro do Rio, flagraram novos clientes assinando contratos e, enquanto as equipes estavam no local, mais de dez novas vítimas chegaram para também assinar contratos.

“Este caso chegou através de várias vítimas, que nos procuraram ao perceberem que tinham caído em um golpe. Iniciamos as investigações e conseguimos localizar mais de 180 pessoas que foram vitimadas, com prejuízos que somam cifras milionárias. Algumas dessas vítimas são pessoas humildes, que juntaram dinheiro por muitos anos para realizar o sonho da casa própria e perderam tudo”, disse a delegada Patrícia Aguiar.

O grupo utiliza as redes sociais e site na Internet para atrair novas vítimas. A ação desta segunda-feira foi apenas a primeira fase da investigação, que continuará. Marcelo vai responder por associação criminosa, ameaça e tentativa de estelionato. Daywison e Renata vão responder por associação criminosa e tentativa de estelionato.