Vereadora do (PT) do Rio relata que PMs apontaram armas na sua cabeça e de seus assessores durante abordagem; carro tinha 4 passageiros negros

'Não é possível que pessoas negras num carro blindado possa causar tanta estranheza', disse Tainá de Paula. Caso ocorreu a menos de um quilômetro de onde a vereadora Marielle Franco foi perseguida e morta: 'A gente ficou muito abalado exatamente por causa disso'.

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A vereadora carioca Tainá de Paula (PT) relatou uma abordagem violenta da PM, na noite desta quinta-feira (27), contra o carro onde ela, o motorista e dois assessores estavam — todos são negros. Ela afirma que militares em motos lhe apontaram armas na cabeça.

O incidente foi na Tijuca, na Zona Norte do Rio, a menos de um quilômetro do local do atentado contra a vereadora Marielle Franco. A PM informou que vai apurar o caso.

Segundo Tainá, ela e os assessores voltavam da Câmara para casa em um carro blindado quando uma moto não identificada passou a andar muito próxima do carro, piscando a seta. Seriam policiais, que não se identificaram, e Tainá decidiu não parar.

Metros adiante, o veículo foi cercado por quatro motos da polícia.

“Não é possível que pessoas negras num carro blindado possa causar tanta estranheza”, disse Tainá.

A blindagem, segundo ela, impede que as janelas de trás sejam abertas.

“Eles saem da moto e começam a mirar com os revólveres nas nossas cabeças. Pediam para sair rápido do carro, de uma forma belicosa e nos xingando”, contou.

“Meus assessores falam que eu sou vereadora, eles dizem que não conhecem Tainá de Paula e pedem para sair com a mão na cabeça e começam a revistar o porta-mala”.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Tudo isso ocorreu a cerca de 800 metros de onde a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram perseguidos e metralhados pelos ex-policiais Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa. A semelhança da cena assustou Tainá.

“A gente ficou muito abalado exatamente por causa disso, foi um lugar muito próximo. É muito dura a realidade do Rio”, disse ela.

“Tem um tom de racismo estrutural grave nesse país e a violência foi banalizada. Espero que essas coisas não aconteçam mais”.

Tainá afirma que está preparando uma notificação, por meio de seu mandato na Câmara, ao comando da Polícia Militar.

O que diz a PM

Em nota, a PM informou que vai aguardar ser notificada.

“Diante da comunicação oficial, o comando da Corporação irá apurar as circunstâncias do fato”.