Bolsonaro diz que Queiroga desobrigará máscaras a vacinados e já infectados

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O presidente Jair Bolsonaro confirmou durante solenidade no Ministério da Saúde, que o Brasil será a sede da Copa América.Os governadores de Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás aceitaram receber jogos da competição a partir do próximo dia 13 de junho. Sérgio Lima/Poder360 01.06.2021

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta 5ª feira (10.jun.2021) que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, “vai ultimar parecer visando a desobrigar o uso de máscara por aqueles que estejam vacinados ou por aqueles que já foram contaminados”.

Deu a declaração em evento que anunciou a implantação de 3 ações na área do Turismo, com o ministro Gilson Machado e outros integrantes do governo.

O presidente completou dizendo que a medida deverá ser implantada pelo governo “para tirar esse símbolo, que obviamente tem a sua utilidade para quem está infectado”. 

O anúncio sobre a elaboração desse parecer foi feito depois de Bolsonaro criticar a imprensa por noticiar que ele não usa máscara em suas viagens pelo Brasil.

No evento, o presidente voltou a falar sobre o suposto relatório atribuído ao TCU (Tribunal de Contas da União), cuja autoria foi negada pelo tribunal, que indicava supernotificação de casos e mortes pela covid-19.

“Está comigo o relatório, é bastante claro, dizendo que o critério adotado pelo Ministério da Saúde, via lei aprovada pelo Parlamento, poderia levar a uma prática não recomendável de uma supernotificação de casos de covid para que governadores ganhassem mais recursos do governo federal, isso é, do ano passado, claríssimo”, disse nesta 5ª feira.

O TCU afastou preventivamente o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques de suas funções. Ele foi o autor do material citado pelo presidente Jair Bolsonaro para defender a tese de que existe supernotificação de óbitos pela doença no Brasil. O documento foi feito em caráter pessoal e não foi chancelado pelo TCU.

TRATAMENTO PRECOCE E CPI

Bolsonaro também falou sobre o tratamento precoce, cuja eficácia contra a covid-19 não é comprovada cientificamente. Segundo o presidente, se a supernotificação for comprovada, o Brasil decairá no ranking de países por número de mortes por milhão de habitantes. O uso desses medicamentos, disse, será a motivação.

“A obrigação de um chefe de Estado, prefeito, governador é buscar soluções, decidir, por vezes até errando, porque indecisão é a pior coisa que pode existir. E, caso isso tudo se confirme, está na cara que foi o tratamento precoce”.

O presidente citou ainda o ex-assessor da Presidência Arthur Weintraub e falou sobre a existência do suposto “gabinete paralelo” na gestão da pandemia.

“Com todos esses problemas do fique em casa, não errei uma sequer. E não foi da minha cabeça, foi conversando com pessoas, com um anônimo entre nós por muito tempo, o Arthur Weintraub. Quando fui com ele para o Japão em 2018, foi lendo uns manuais e chegou falando o básico de japonês por 48 horas. Consegui andar lá por causa dele, é uma mente privilegiada. Trazia documentos, pesquisas, fazia contatos, a gente aprendia”.

O gabinete teria influenciado as decisões do Ministério da Saúde e também as posições do presidente Jair Bolsonaro sobre a covid-19. O grupo foi formado por médicos defensores do “tratamento precoce”e da hidroxicloroquina. Sua atuação e composição são investigadas pela CPI da Covid-19, no Senado.