Ao vivo | Na CPI da Covid, Witzel mira Bolsonaro, fala em perseguição após prisão no caso Marielle e alega paralisia do Ministério da Saúde

164

 O ex-governador do Rio Wilson Witzel disse à CPI da Covid que teve pouca cooperação do Ministério da Saúde em relação aos hospitais de campanha montados para atender a pacientes com a Covid-19. Em seu depoimento à comissão no Senado, o ex-governador, que perdeu o cargo após sofrer impeachment, adotou um tom de ataque ao presidente Jair Bolsonaro, a quem responsabilizou pelas mortes na pandemia, e alegou ser vítima de “perseguição política” — o que, segundo ele, teria começado após a prisão dos assassinos da deputada Marielle Franco.

— O nível cooperação do Mistério da Saúde foi praticamente zero — disse Witzel sobre a resposta à pandemia nos estados.

Depois, alegou que foi cassado por ter investigado morte de Marielle:

— Tudo começou porque mandei investigar sem parcialidade o caso Marielle. Quando foram presos os dois executores, a perseguição contra mim foi inexorável.

Witzel perdeu o cargo após um processo de impeachment motivado por acusação de crime de responsabilidade por suposto esquema de corrupção na área da Saúde, durante a pandemia. A oitiva do ex-governador faz parte da tentativa de senadores governistas atribuirem a culpa pela má-gestão da pandemia aos estados.

ASSITA AO VIVO

O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o não comparecimento de Witzel ao colegiado. Apesar da decisão, o ex-governador, que está em Brasília, confirmou que irá depor à comissão. Ele, no entanto, poderá ficar em silêncio durante o depoimento.

A expectativa dos parlamentares é que, na sessão de hoje, o ex-governador faça referências negativas ao presidente Jair Bolsonaro, já que ambos são inimigos políticos declarados. O ex-governador chegou a relacionar sua saída do cargo à suposta pressão por parte de Bolsonaro.

Retirada de sigilo de documentos

A primeira parte da sessão foi dedicada à análise de reclassificação de documentos sigilosos, ou seja, se eles serão mantidos em segredo, ou se passarão a ser públicos. Senadores alinhados ao governo federal demonstraram preocupação com a possibilidade de documentos cujo sigilo é garantido por lei fiquem disponíveis para todos. Já senadores críticos ao governo destacaram que há vários documentos disponíveis no Portal da Transparência que chegaram à CPI como sigilosos.

Um dos pontos mais controversos diz respeito aos documentos do Ministério da Relação Exterior. O chanceler Carlos Alberto França chegou a se reunir com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para tratar do assunto. O ministério também enviou à CPI um ofício defendendo a manutenção do sigilo.

Com o voto contra dos senadores governistas — Marcos Rogério (DEM-RO), Ciro Nogueira (PP-PI) e Jorginho Mello (PL-SE) —, a CPI aprovou a retirada do sigilo de parte da documentação. Há na lista documentos do Itamaraty, do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de empresas fornecedoras de oxigênio, como a White Martins.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), disse que, em relação ao Itamaraty, todos os cuidados serão tomados, mas criticou o teor de alguns documentos, fazendo referência a um episódio envolvendo do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Foster.

— Uma cidade como Macapá [de 500 mil habitantes] acabou nesta pandemia. E o embaixador escreve “habemus cloroquina”. Vai explicar isso a quem perdeu um irmão como eu, a quem perdeu amigos, a quem ficou órfão, perdeu pai e mãe!